MÓDULO VII - ESCATOLOGIA: Aula 1 - Introdução a Escatologia

 

“Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio”. (Ec 7:8 – NAA)

1 - Introdução

Quando falamos em Apocalipse nos veem a mente a ideia da destruição do mundo e o fim da existência da humanidade por meio de catástrofes das mais imagináveis possíveis.

O termo dessa palavra vem de eschaton (do grego), que significa “as últimas coisas”.  A essência de uma boa Escatologia é produzir esperança. 

A Escatologia surge, não por um movimento de desconfiança, mas porque o povo percebe que alguma coisa está quebrada, a vida está difícil. Por conta disso, agora é preciso ter um combustível, uma motivação, um empenho, um motor que faça com que esse povo olhe para frente, mesmo com situações adversas, nascendo a partir de uma percepção, de quando o povo percebe que existe algo difícil atrapalhando o fluxo da vida. A partir dessa percepção, o povo precisa, então, de um combustível, de um motor, de algo que o motive, trazendo esperança para se continuar a viver.

De certa forma ela tenta responder a uma questão muito importante do ser humano: “Por que vale a pena viver?”

Precisamos entender que esse pensamento escatológico não é uma exclusividade do pensamento cristão ou judaico. Você irá perceber que existem diversas correntes de pensamentos, culturas e religiões que desenvolvem um pensamento ou uma ideia a fim de tentar nortear ou responder a essa mesma questão – esse motivo de esperança ou a falta dela -, sempre buscando responder se vale a pena viver e o que motiva o homem a isso. Nesses modelos de olhar para o futuro para saber como acaba e como vou me posicionar diante desse fim, existem algumas visões com três diferentes modelos.

1.     Grego

A primeira, muito conhecida entre os brasileiros, é a visão dos gregos, em cujo pensamento a Escatologia é circular. Tem a ideia de que sempre existe um recomeço, que o homem está sempre voltando, passando por ciclos. Nessa visão a vida não tem um propósito último, ela se repete por várias vezes. Alguns filmes de Hollywood vez ou outra nos apresenta essa ideia de pessoas presas no tempo, que vivem nesse ciclo de repetição, onde a vida é um eterno ciclo. Nesse modelo, homem não irá, necessariamente, chegar a lugar algum. Ou seja, enquanto o homem está fazendo essas voltas intermináveis, ele se aperfeiçoa como pessoa.

2.    À deriva

O segundo modelo de pensamento sobre a forma de olhar o futuro é muito presente entre os ateus ou no pensamento pós-moderno. É a sensação de que a história não caminha para lugar nenhum, não tem um propósito, um desdobramento, não existe um final da história, a vida é um filme que não tem fim.

No pensamento brasileiro existe o espiritismo, um desdobramento, uma subdivisão do pensamento grego, que é tentar atribuir algum sentido a esse ciclo de vida. Ou seja, não existe um

propósito na existência e, por causa disso, cada um vive a sua vida da maneira que julgar melhor. Nesse modelo, ao olhar para o fim, a resposta à pergunta “por que vale a pena viver?” é totalmente pessoal, pois, já que a vida não tem nenhum propósito, cabe a cada um inventar o seu.

3.    Bíblico

O terceiro é o modelo bíblico. Dentro desse modelo, a história se caminha para um desfecho final, para uma conclusão. Existe um plano, um propósito, e, apesar de tudo o que acontece - acontecimentos que não sabemos explicar como catástrofes, coisas ruins, coisas boas -, nosso juízo da história tem que ser provisório. Mas, por que provisório? Porque, por vezes, coisas terríveis vão ajudar no fluxo para a história chegar aonde tem que chegar caminhando para um fim que foi determinado por Deus.

Seja como for, se você estiver dentro ou fora da igreja, você ou qualquer outra pessoa irá se encaixar dentro de uma dessas três perspectivas escatológicas. Voltamos à mesma pergunta: Como é o fim e como esse fim determina o tipo de vida que eu levo?

o pensamento bíblico é o único pensamento filosófico religioso que diz que a história está caminhando para alguma direção. Por mais confuso que seja todo esse processo histórico, existe um ponto de chegada. E se existe esse ponto de chegada, o homem precisa se ajustar, se adequar.

E para essa adequação, precisamos conhecer as regras.

2 - Como Surgiu O Livro

Este livro foi escrito pelo apóstolo João, discípulo mais novo de Cristo e também um parente próximo. Sua mãe, Isabel, era irmã de Maria e seu pai, Zebedeu, irmão de José, pais terrenos de Jesus.

Escrito em 95 d.C, no fim do reino do Imperador Romano Domiciano (81 a 96 d.C), o imperador que mais perseguiu os cristãos na Era Cristã. O Cristianismo estava em seus anos inicias, e apesar das grandes perseguições e adversidades, novos cristãos surgiram, e com a fé cristã, constituíram um importante espaço religioso que, aos poucos, sufocou as religiões pagãs greco-romanas.

Domiciano tenta matar João numa caldeira de óleo fervente, mas ao jogá-lo, nada lhe aconteceu. Como o povo ficou em polvorosa com o milagre, o Imperador teve medo de que o assunto proliferasse por todo o império contribuindo na propagação do Evangelho de Cristo, então, exilou-o em Patmos (situada a 55 km da costa Turquia, no Mar Egeu), uma ilha-prisão para os piores criminosos da época cumprirem pena, com a intenção de que João fosse esquecido, já que era o último discípulo de Cristo vivo.

Lá, João fez amizade com os guardas e conseguiu escrever e enviar cartas às sete igrejas da Ásia (Éfeso, Tiatiram Pérganmo, Filadélfia, Esmirna, Sardes e Laodiceia), que mais tarde foram juntadas em um só rolo chamado de Apocalipse.

 

3 – Análise de Capa a Capa

 

A Bíblia não estaria completa sem estes livros. Se a omissão de Gênesis nos teria deixado na ignorância, quanto ao princípio de muitas coisas, a falta do Apocalipse nos teria privado de muitos ensinos acerca da consumação de todas as coisas. Entre “Gênesis” e “Apocalipse”, pode-se ver uma correspondência notável, a qual é a seguinte:

 

GÊNESIS

 

APOCALIPSE

 

O paraíso perdido

O paraíso recuperado

A primeira cidade, um fracasso

A cidade dos redimidos

O princípio da maldição

Não haverá mais maldição

Matrimônio do primeiro Adão

Matrimônio do segundo Adão

As primeiras lágrimas

Enxugadas as lágrimas

A entrada de Satanás

O julgamento de Satanás

A criação antiga

A nova criação

A comunhão rompida

A comunhão restaurada

O livro do Apocalipse é a consumação das profecias do Velho Testamento. Está repleto de símbolos e expressões tomadas emprestadas dos escritos daqueles profetas que foram favorecidos por revelações gloriosas concernentes ao fim do tempo — Isaías, Ezequiel, Daniel e Zacarias. É o grande “Amém” e o alegre “aleluia” pelo cumprimento das predições dos profetas — Antes de tudo, este livro é uma revelação — a manifestação visível — do Senhor Jesus Cristo. No seu Evangelho, João descreveu a Sua vida e o ministério terrestre. Antes de escrever o livro do Apocalipse, o apóstolo é arrebatado ao trono de Deus, onde vê Jesus vestido da glória que Ele tem com o Pai desde a fundação do mundo; onde vê Aquele que foi julgado pelo mundo, voltando como o seu juiz; onde vê Aquele, que foi rejeitado pelos homens, tomando posse de todos os reinos do mundo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

 

4 – Conclusão

A intenção de Apocalipse não foi descrever com exatidão a ordem cronológica dos acontecimentos futuros, mas descrever as visões e o testemunho de Cristo revelado para a Igreja (1 Jo 5:11; Jo 3:15; Rm 8:1; 1 Pe 4:12-19)

Através desse registro, os crentes desde o primeiro século têm sido confortados com a expectativa da vitória e da vida eterna com Deus. As dores dos filhos serão recompensadas na intervenção final e definitiva de Cristo contra os Seus inimigos, no Seu reino eterno. Cristo voltará em poder e glória para buscar os Seus remidos, cumprir seus juízos e estabelecer o Seu Reino eternamente.

A soberania de Deus é realçada aqui no anúncio prévio da derrota do Maligno, do pecado e do sofrimento.

Além desses pontos, o Apocalipse é um livro que comunica esperança para o povo de Deus. Ele nos mostra que aconteça o que acontecer, os filhos de Deus estarão seguros no Senhor e terão, pela graça de Jesus Cristo, a vida eterna (Jo 16:7-15).

 

Para Refletir

 Algumas pessoas que estão com problemas graves de depressão, pode-se dizer que estão com problemas escatológicos, pois não estão tendo condições de enxergar com uma perspectiva otimista o presente e o fim das coisas. Olham para o presente ou para o fim sem esperança alguma. Independente de a pessoa ser cristã ou não, todo processo depressivo passa necessariamente por uma revisão de percepção Escatológica. (Pr Leonardo Teixeira)

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