Aula 19 - Análise da Oração do Pai Nosso

 

O Pai Nosso, ensinado por Jesus, é o modelo perfeito de oração que devemos usar como guia, uma orientação que Jesus deu aos Seus discípulos que ficavam admirados com a forma simples que Jesus operava milagres.

Jesus mostrou através dessa oração, quais os assuntos que devemos levar a Deus, ensinando-nos a buscar primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça (Mateus 6:33), e depois as outras coisas.

Naquele tempo, era comum os homens frequentarem sinagogas e estavam cansados de ver escribas e fariseus usando palavras difíceis para falar com deus, numa liturgia repleta de religiosidade e fundamentações.

Jesus era um mestre e como tal, era imitado por seus discípulos. Por isso, pediram que lhes ensinassem a orar como o viam fazendo, de modo simples e bem sucedido.

 

Pai nosso que estás no céu,

santificado seja o Teu nome.

Venha o Teu reino.

Seja feita a Tua vontade,

assim na terra como no céu.

O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje

e perdoa nossas dívidas,

assim como perdoamos os nossos devedores.

E não nos deixes cair em tentação,

mas livra-nos do mal.

Pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre.

Amém.

 

(Mateus 6:9-13)

 

1. "Pai nosso..."

Jesus começa a oração mostrando quem Ele era e apontando para uma verdade pregada: deus também é o seu pai. Deus é o Pai, Criador e sustentador de todas as coisas. Ele é eternamente Pai do nosso Senhor Jesus Cristo e de todos os seres criados. Mas decidiu adotar os crentes em Jesus como seus filhos também (João 1:12). O Pai celestial acolheu-nos como filhos amados e deseja ter um relacionamento de intimidade conosco.

A expressão "Pai nosso" não nos impede de usar "meu Pai" nas nossas orações pessoais solitárias, mas é um testemunho público de reconhecimento da Paternidade de Deus sobre nós. Não temos um Deus exclusivo ou particularmente nosso, mas Ele é nosso Pai. Todos gozamos desse privilégio compartilhado pelos filhos, na grande família de Deus.

 

2. "... que está no céu"

Essas palavras não limitam a presença de Deus ao céu. Elas apenas expressam a infinita grandeza e glória do Senhor, acima do Universo visível. Deus tem a Sua presença nos céus e na terra (Dt 4:39).

Nenhum 'deus' do universo visível (politeísmo ou panteísmo) pode ser comparado ao Pai celestial, que habita o Céu dos céus (céu invisível acima do universo criado). Ele é Supremo, está exaltado na Sua Morada celestial.

O Pai é distinto e superior a nós, a todos os pais da terra e a todos os falsos deuses e ídolos deste mundo (Eclesiastes 5:2). Jesus realça esse dado importante acerca do Pai que está no céu, para que a nossa compreensão distorcida retifique que Deus é Infinito, Absoluto e Incomparável.

 

3."Santificado seja o Teu nome"

Santificar o Nome de Deus é a primeira declaração na oração do Pai Nosso. O Pai Celestial deve ser santificado pelos seus filhos. Isso significa que devemos glorificar a Deus em tudo que fazemos ou pensamos, nas nossas atitudes e relacionamentos.

A palavra santificar nesta oração significa que o nome de Deus deve ser reconhecido como único, exclusivo, distinto de toda e qualquer associação humana de divindade. Deus não é comparável a nenhum outro ser no Universo. Portanto, nenhum outro deve receber a adoração devida a Ele.

Deus é santificado quando a Sua existência é acreditada, quando a Sua perfeição é amada e reverenciada e em nossas vidas (1 Pedro 3:15) e quando as Suas obras são admiradas e reconhecidas. Isso é santificar a Deus, tornando-O honrado e glorioso, tal como Ele é.

 

4. "Venha o Teu Reino..."

Esse pedido tem a ver com o Seu governo eterno sobre todas as coisas. Deus é o Rei divino e o Seu reino é espiritual, moral e real. O "Reino de Deus" ou o "Reino dos Céus", ou "Reino de Cristo", começou desde o início, mas foi apresentado com a vinda de Jesus, sendo instaurado quando Ele voltar em Sua glória, sendo estendido de forma completa a todos os povos e nações.

 

5. "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu"

Este pedido é uma declaração de submissão a vontade do Pai em detrimento a nossa. Este deve ser o nosso desejo hoje: cumprir retamente a vontade de Deus. Essa é uma obediência que envolve prontidão, dedicação e amor.

 

6. O pão nosso de cada dia...

Depois de pedir que Deus seja glorificado, que Seu Reino venha e Sua vontade seja feita, agora podemos pedir por sustento e conforto necessários na vida terrena presente. Essas petições relacionadas às necessidades humanas: Pão, Perdão e Proteção, também são encontradas em Lucas 11:3. Cada palavra revela uma lição importante:

"O pão nosso" pode significar: pão natural e pão espiritual - o que resume todas as coisas necessária para a manutenção da vida, do corpo e da alma. Um pão honesto, que seja realmente nosso, lembrando dos outros ensinamentos de Jesus: "Nem só de pão viverá o homem... (Mt 4:4); "Eu sou o Pão vivo que desceu do céu..." (João 6:51).

"De cada dia" significa que não precisamos ficar ansiosos pelo dia de amanhã; somos ensinados a depender diariamente na Divina Providência, precisamos do que é necessário para hoje, não para esbanjar ou para acumular riquezas

"Dá-nos hoje" significa que reconhecemos nossa dependência do Pai celestial para ter o suficiente para nossas vidas hoje. Humildemente pedimos que nos dê o pão diário. O básico para a nossa sobrevivência diária.

 

7. “Perdoe as nossas dívidas assim como”...

O perdão é fundamental para vivermos (ao nível espiritual, emocional e relacional). Todo tipo de transgressão, ofensa, pecado ou vício, ofende a Deus e certamente também ferirá outras pessoas. Além disso, o castigo por essas ofensas causará sofrimento, quando tivermos que "pagar" pelas dívidas perante a Justiça Divina.

A dívida do mal que cometemos, contra Deus e contra o nosso próximo, precisa de ser reconhecida, confessada e abandonada.

Contudo, há uma condição prevista nos termos de a oração: "perdoa-nos assim como perdoamos aos nossos devedores". Aqui o perdão para as nossas falhas está condicionado ao perdão que também damos aos outros.

Devemos perdoar, tal como esperamos ser perdoados. Aqueles que desejam encontrar misericórdia em Deus para os seus erros, devem também mostrar misericórdia para com seu próximo. Mesmo que lhe causado dano, ofensa ou sofrimento.

 

8. "Não nos deixes cair em tentação..."

Ele nos mostra que as provações ou tentações da vida podem ser vencidas com a ajuda do Pai celestial, sendo preservados do pecado. Isso significa que Ele pode retirar a tentação quando é forte demais, ou pode amenizar as forças da tentação aumentando as nossas forças contra ela.

Esse pedido nos ensina a considerar a nossa própria incapacidade de afastar e vencer as tentações sozinhos. E, aponta a necessidade de capacitação do alto para conseguirmos resistir o dia mau.

A resistência contra a tentação e provação produzem em nós o resultado da alegria e resiliência. Tal como é dito: "tenham grande alegria quando passarem por provações... por que isso produz perseverança." (Tiago 1:2-3). Isso se torna um exercício de aprimoramento da fé, da piedade e das virtudes, para que outros possam ser encorajados pela nossa perseverança nas provações.

 

9. "Mas livra-nos do Mal"

Apensar de sermos carnais e de termos inclinação para mal temos um Acusador que também nos tenta para o mal, que somado ao pecado da nossa natureza nos manipula para longe de Deus. Lembremos que, como ladrão, ele veio para matar, roubar e destruir (João 10:10).

Esta pode ser a referência na oração que completa a ideia de livramento contra tentação. Livra-nos de todos os tipos de males, inclusive do Tentador que é o nosso Inimigo.

 

10. "Pois Teu é o Reino, Poder e Glória..."

Esse final da oração, chamada de "doxologia" (expressão conclusiva de glorificação e louvor a Deus), não aparece nos manuscritos antigos. Por isso, ela aparece entre colchetes nas traduções das nossas Bíblias.

Ela foi acrescentada no século XVI pelo rei Henrique VIII. Contudo, essa parte final manifesta o entendimento que a glória e a honra de Deus devem ser o objetivo principal dos filhos, inclusive na nossa oração, mostrando que nossos pedidos devem glorificar ao Pai. A glorificação de Deus deve conduzir as nossas orações do início ao fim.

"Teu é o Reino" - Aqui se mostra a convicção de que Deus é soberano e tem o domínio total do universo. Ele tem o controle sobre todas as coisas, pois reina e governa sobre tudo.

"Teu é o Poder" - Cremos que o Pai, todo-poderoso no Céu e na terra, detém todo o poder, tanto o de realizar quanto o de não fazer para o nosso bem.

"Tua é a glória" - As nossas orações são ouvidas e atendidas para a honra e louvor Dele. Nada é ou será por nossa causa, mas por causa do seu nome e da Sua natureza perfeita. Porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. (Rm 11:36)

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