Aula 15 - Como Surgiram os Dias da Semana
Na Antiguidade, não existia dias da semana como estamos habituados (segunda, terça, quarta,...), mas era marcado pelas luas. Tanto que o 1º dia do mês era marcado pela 1ª lua nova, então se contava 7 dias (que é o tempo que a lua muda de fase) e começava a próxima semana na lua crescente, e assim sucessivamente até a próxima lua nova, quando marcaria o 2º mês.
Então, o primeiro dia da semana não era
domingo, como muitos acreditam que Jesus tenha ressuscitado, mas no 1º dia de
fase da lua nova.
Outro detalhe importante era que sábado
não era o nome de um dia, mas a referência ao descanso semanal ou de um feriado.
Tanto que em Lv 23:5-8 diz
que tanto o dia 14 de abib quanto o dia 15 de abib, eram sábados do Senhor e
não se podiam trabalhar.
O primeiro marcava a Páscoa e o segundo
o início da Festa dos Pães Asmos. Logo, Jesus morreu e dois dias seguintes eram
sábados, quando ninguém podia fazer nada, por isso somente no terceiro dia após
a sua morte ele foi visitado pelas mulheres, e não dois dias depois como supõem
alguns, chegando a dizer que ele morreu na sexta-feira e no domingo pela manhã
elas foram ao sepulcro.
O dia 14 de abib é uma data fixa e não
tem nada a ver com fim de semana, ela é festejada no exato dia em que caía da
semana. Desmistificando assim que Jesus tenha ressuscitado em um domingo e
morrido numa sexta-feira.
A semana de sete dias (septimana, em
latim, significando “sete manhãs”) é de origem babilônica. Na Babilônia, desde
pelo menos 1600 a.C., associava-se os dias da semana e os planetas aos deuses.
Assim, Vênus era associada à Ishtar, deusa do amor; Marte, ao deus da guerra e
do submundo chamado Nergal; Júpiter, ao deus supremo da Babilônia, Marduck.
Quando os hebreus foram deportados para a Babilônia durante o reinado de Nabucodonosor II, final do século VI a.C., a elite judaica entrou em contato com a astronomia babilônica. A Bíblia Hebraica absorveu a semana de sete dias como mostra o relato da criação do mundo em seis dias destinando o sétimo e último como o dia do descanso. Essa tradição bem como o quarto mandamento do Decálogo – “Lembra-te do dia de descanso para santificá-lo” – são à base da prática judaica do Shabbat. Assim, a semana judaica tinha o Shabbat como o sétimo dia, o último dia da fase da lua.
A semana romana
Os romanos, sob o Império, adotaram a
semana de sete dias associando-os aos planetas e deuses olímpicos
greco-romanos. Os planetas então conhecidos pelos astrônomos eram: Saturno,
Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio. Assim, a semana romana era dividida conforme
mostra a tabela abaixo.
Os nomes dos dias
da semana no Império Romano.
Foi o imperador Constantino que, em março de 321, impôs o descanso semanal no dia do Sol decretando que todas as atividades profissionais (exceto o trabalho agrícola) deveriam cessar em homenagem ao Sol Invictus (Sol Invencível). Estabeleceu-se, assim, o descanso semanal no que seria mais tarde chamado domingo, tradição que se manteve até os dias de hoje.
A Semana Cristã
O Concílio de Niceia, realizado durante
o reinado de Constantino em 325, estabeleceu, entre outras decisões, a reforma
do calendário romano para dar-lhe uma feição cristã. O sétimo dia da semana,
dedicado a Saturno, passou a ser dedicado ao Shabbat judeu, dia do descanso
consagrado pelo Velho Testamento; ele se tornou o Sabbatum (sábado) dos
católicos.
O primeiro dia da semana, o dia do Sol
dos romanos, passou a ser Dominicus Dies (ou Dies Domini) que, em português,
significa Dia do Senhor, tendo evoluído para domingo. Esse dia já era o dia de
descanso oficial do Império romano pelo decreto de Constantino de 321, e assim
permaneceu.
Os outros cinco dias da semana
continuaram com seus nomes romanos de deuses e planetas. Como lembra Paul
Veyne: “nossa semana deve tanto à astrologia popular pagã quanto ao
judeu-cristianismo e isso permitiu a Constantino contentar os cristãos sem
contrariar os pagãos” (VEYNE, 2010, pp. 152-153).
Os nomes dos dias
da semana após o Concílio de Niceia. Os nomes de origem pagã sobreviveram em
boa parte da Europa latina cristã, como, por exemplo, na Espanha, na França e
na Itália.
Os dias da semana numerados de Portugal
A língua portuguesa é a única língua
românica em que o nome dos planetas foi substituído por numerais.
Quem decidiu isso foi São Martinho de
Dume, bispo de Braga no século VI. Para ele, era uma blasfêmia chamar os dias
da semana pelos seus nomes pagãos. Afirmava que não se podia “dar nomes de
demônios aos dias que Deus criou”, referindo-se aos deuses romanos Júpiter,
Marte, Vênus, Mercúrio.
Considerando isso, São Martinho propôs que durante a Semana Santa – período que, na Idade Média, todos os dias eram consagrados ao descanso e às orações – os dias da
semana fossem chamados “feria”
(literalmente: dia livre, de onde deriva a palavra “feriado”) e ordenados
numericamente.
A proposta foi aprovada no Primeiro
Concílio de Braga, de 561 a 563, dirigido pelo próprio São Martinho e acabou se
fixando para o resto do ano. Foram mantidos os nomes do Dia do Senhor (domingo)
e do Sabbatum (sábado) e dados novos nomes aos demais dias da semana que
passaram a ser Feria Secunda, Feria Tertia, Feria Quarta, Feria Quinta, Feria
Sexta.
Ao longo dos anos, a língua portuguesa
foi se modificando, tendo a palavra “feria” sido substituída por “feira” nos
dias da semana, chegando-se assim aos nomes dos dias da semana atuais.
Os nomes dos dias estabelecidos
por São Martinho de Braga no século VI e que acabaram se fixando em Portugal e
nos países de língua portuguesa como o Brasil.da semana
A mudança imposta pelo bispo português São Martinho ficou valendo apenas para Portugal. Outros países, como Espanha, França e Itália mantiveram a raiz original dos planetas Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno para chamar os dias da semana (veja na tabela rosa. acima).
Os dias da Semana na Inglaterra
Na Inglaterra, a semana de sete dias
chegou só no século V, bem atrasada em relação ao resto da Europa. O calendário
romano foi adaptado aos deuses nórdicos.
Dessa forma, os nomes dos dias da
semana nas línguas anglo-saxônias não derivaram do latim, mas dos nomes dos
deuses daqueles povos. Assim, Marte, por exemplo, foi substituído por Tiw ou
Tyr, deus da guerra, dando origem a Tuesday, equivalente à nossa terça-feira.
Veja na tabela abaixo.
Os dias da semana
nas línguas anglo-saxônicas derivam dos nomes dos deuses nórdicos.
Domingo: primeiro ou último dia da semana?
Na tradição religiosa cristã, Domingo é o primeiro dia da semana que comemora a ressurreição de Cristo. Nos Evangelhos, Jesus morreu no dia de “preparação para o sábado (Lucas 23:54), ou seja, num dia que antecedia o sábado, porém, com uma observação: tanto o dia 14 quanto o dia 15 de abib eram sábados do Senhor, então... se Jesus morreu numa sexta e os dois dias seguintes eram sábados, ele ressuscitou na segunda-feira e não no nosso domingo. Ele foi sepultado no final da tarde e lá permaneceu durante três dias segundo a Bíblia (Jo 2:19-21, Mc 8:31, Mt 12:39) e foi na madrugada do terceiro dia e no primeiro dia da semana, ou seja, na virada da lua, que marcava o primeiro dia da semana, que as mulheres foram ao túmulo (Mateus 28: 1; Marcos 16:1; Lucas 24:1, João 20:1).
E ainda tem outro detalhe: O dia judeu começa no pôr do sol e não a
meia-noite como o nosso, então... Não quer dizer que Jesus tenha ressuscitado
pela manha, mas depois do pôs do sol do primiero dia da semana, lembrando que
Deus determinou que a partir de então, o dia de páscoa fosse no primiero mês do
ano judeu (nissan ou abibe), e que se contasse 14 dias para páscoa.
Então a lua nova marcava do novo mês (Ex 12:18)





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