Aula 10 - As Ditas Contradições Bíblicas
Os céus e a terra passarão, mas as Minhas Palavras jamais passarão. (Mateus 24:35)
1 – Introdução
Uma contradição
acontece quando afirmamos que duas (ou mais) coisas são verdade, e essas coisas
negam uma à outra se contradizendo.
Se a Bíblia é a verdade
e a Palavra de Deus, então ela não pode se contradizer. É por isso que muitos
céticos procuram contradições na Bíblia, para mostrar que este livro não vem de
Deus.
Ao analisarmos a Bíblia
honestamente, encontramos poucas situações que realmente parecem
contraditórias. Para tanto, vamos analisar cada situação para entender as
diferenças e confirmar a infalibilidade Bíblica.
2 - Contradições de Nomes e Números
Quem já leu a Bíblia sabe que tem muitos recenseamentos
e genealogias. Ela também registra datas importantes, idade de pessoas e outras
datas. Mas em alguns textos os nomes e os números parecem não corresponder.
Em alguns textos, a mesma pessoa pode ser chamada
por dois nomes diferentes. Um caso disso é o rei Azarias (2 Rs 14:21), que em Crônicas era chamado de Uzias (2 Cr 26:1). É óbvio que Uzias e Azarias era a mesma
pessoa. O que acontece nessas passagens é que entre os livros de Reis e de
Crônicas, séculos se passaram, e pós-exílio, os nomes eram referidos na língua
aramaica ao invés da hebraica, causando aparente mudança de nomes. Como é o
caso de Ester, nome persa para Stara = estrela que também era Hadassa, nome
hebreu = murta. Ambos se referiam a mesma pessoa, porém em línguas diferentes.
O nome Hadassa fazia referência a uma planta que cobria as tendas, fazendo
referência ao dia do seu nascimento (festa das Cabanas). Já Ester, fazia
referência à deusa persa Astarte ou Astarote.
Em outras situações, os manuscritos antigos
trazem números diferentes.
Em 2 Rs 25:8 afirma
que a cidade de Jerusalém foi destruída no sétimo dia do quinto mês, mas Jr 52:12 diz que isso aconteceu no décimo dia. Essa
diferença de três dias na verdade indica que a destruição de Jerusalém demorou
três dias, pois incendiar e demolir vários edifícios levou tempo. Portanto, em
Reis o autor registou o dia que começou a destruição e Jeremias registrou o dia
que finalizou. Unindo as informações temos um ótimo complemento.
Outro caso é a idade do rei Joaquim. O livro
de 2 Rs 24:8 diz que ele tinha 18 anos
quando começou a reinar e alguns manuscritos antigos também confirmam isso
em 2 Cr 36:9. Mas
outros textos antigos de 2 Crônicas dizem que
ele tinha oito anos. Isso provavelmente foi uma distração da pessoa que copiou
o texto, errando o número, como é o caso da Bíblia João Ferreira de Almeida
Atualizada.
Considerando que tudo foi copiado à mão ao longo de séculos, sem os recursos que temos hoje, com sistemas de contagem diferentes e muita informação destruída pelo tempo, é incrível a exatidão dos nomes e números da Bíblia. Os erros que encontramos na Bíblia são poucos e insignificantes, e muitos deles podem ser facilmente explicados.
3 - Contradições em Relação à Ciência e à História
Algumas
pessoas acreditam que existem passagens da Bíblia que contradizem verdades
científicas atuais. Não estamos falando aqui de milagres (que, por definição,
são atos de intervenção divina sem explicação natural). Estamos falando
de algumas afirmações:
·
Será
que Lv 11:13-19
lista o morcego como uma ave? Segundo as classificações modernas, o
morcego não é uma ave. No entanto, no hebraico antigo, a palavra para “ave”
significava qualquer criatura com asas. Segundo essa definição, morcego caberia
na categoria de “ave”.
Devemos
avaliar a Bíblia pelas definições de sua época, não por classificações que apenas
surgiram há algumas décadas ou séculos depois.
A Bíblia
não é um livro de ciência, mas também não faz declarações comprovadamente
erradas a nível científico.
Alguns
céticos também alegam que a Bíblia tem contradições históricas.
·
A Bíblia
fala sobre um rei da Babilônia chamado Belsazar, no tempo do profeta Daniel (Dn 5:1). No entanto, documentos históricos mostram
que nunca houve um rei chamado Belsazar na Babilônia. Contradição? Não.
Belsazar era o filho do último rei da Babilônia, chamado Nabonido. Como
Nabonido passou muito tempo fora, em guerras, Belsazar agia como regente,
administrando o Império. Um regente também podia ser chamado de rei. O império
babilônico caiu antes de Nabonido morrer, por isso Belsazar nunca foi oficialmente
rei, mas teve o poder de rei algumas vezes. Quando Belsazar promoveu Daniel ao
terceiro posto mais poderoso no reino, ele estava confirmando que Belsazar não
era o primeiro do reino, mas o segundo logo abaixo de seu pai Nabonido - Dn 5:29.
Muitos
documentos históricos confirmam vários dados Bíblicos. Diante da evidência, não
temos razão para crer que ela traga algum erro sério nas partes que ainda não
foram confirmadas pela arqueologia. Afinal, a Bíblia não precisa ser comprovada
humanamente para ser afirmada como verdadeira. Se tal fosse, como
comprovaríamos o nascimento virginal de Jesus ou a sua ressurreição?
4 - Ensinamentos Contraditórios
As únicas
contradições que realmente podem fazer uma diferença são contradições nos
ensinamentos Bíblicos. Mas muitas das “contradições” que costumam ser
apresentadas são apenas versículos tirados do contexto (o que modifica seu
sentido), ou lados diferentes de uma verdade mais complexa.
·
A Bíblia
proíbe a criação de imagens em Dt 5:8, mas
ordena a criação de imagens em Êx 25:17-19. Fora do contexto, parece uma contradição, mas se
lermos Dt 5:8-9, veremos
que as imagens proibidas são apenas imagens para adoração, ou seja, ídolos.
Imagens decorativas não têm problema algum. Analisar o contexto é essencial.
Tirar versículos fora do contexto é uma forma preguiçosa e desonesta de
argumentar.
·
Há ordem
de Deus para obedecer às autoridades governamentais (Rm
13:1-3). Por outro lado, alguns discípulos também desobedeceram às
autoridades, e a Bíblia lhes dá razão (At 5:27-29). Será
que isso é uma contradição? Não. Pois a Lei
Divina está acima da lei humana, e neste caso, uma infligia à outra.
A Bíblia
diz que Deus é nossa autoridade suprema. Todo cristão deve se submeter
completamente a Deus. Não existe autoridade maior. Qualquer governo está abaixo
do de Deus. Em geral, o governo serve para manter a ordem e a paz, e devemos
respeitar isso e obedecer à lei, para o bem comum. Mas, quando uma lei ou uma autoridade
nos ordena a fazer algo que é claramente contra os mandamentos de Deus, devemos
escolher obedecer a Deus, não aos homens. É simplesmente uma questão de quem é
a autoridade maior. O equivalente legal é a lei federal, que vence a lei
estadual ou está acima em caso de conflito.
5 – Aparentes Contradições
Ainda existem várias diferenças
em algumas passagens da Bíblia que são citadas como contraditórias, mas que não
cabem nesta definição.
·
Nm 23:19 parece
contradizer com Gn 6:6. No entanto, as palavras
originais no hebraico são muito diferentes, mas um erro de tradução os colocou
em pé de igualdade, dando essa sensação de equivoco ou contradição. Quando a
Bíblia fala do arrependimento humano, usa as seguintes palavras no original:
Shubh (hebraico) e metanoem (grego), que significa = mudança de mente, voltar
atrás, retornar ao caminho correto. Por outro lado, quando a Bíblia fala acerca
do arrependimento divino, usa os seguintes termos: Naham (hebraico) e
Metamélomai (grego) que significa = dor, tristeza, pesar. Portanto, quando Gênesis 6:6 diz que Deus “se arrependeu”, está
afirmando que o Senhor “sentiu profunda dor, pesar” por ter de executar juízo
(por ocasião do dilúvio) contra o homem que Ele havia criado.
Uma aparente
contradição também acontece com os relatos da morte e ressurreição de Jesus. A
história é contada de vários ângulos diferentes, com detalhes diferentes, mas
os relatos não se contradizem, mas se completam. A quantidade de detalhes
diferentes que cada pessoa registrou complementa a história.
·
Jo 19:17 relata
que Jesus saiu carregando sua cruz e Lc 23:26 completa
a informação, indicando que depois um homem chamado Simão carregou a cruz
durante parte da viagem.
Ao todo, quando
analisamos a Bíblia, vemos que não tem contradições verdadeiras em sua
mensagem. Basta ler a Bíblia de forma honesta, lembrando sempre que cada
passagem faz parte de um contexto maior.
6 – Conclusão
Não é por que um texto
é diferente do outro que quer dizer que eles se contradizem. Contradição é
quando um conceito ou ensinamento é totalmente o oposto ao ensinado no mesmo
livro.
Muitas diferenças de
linguagem ou interpretação do texto acabam acontecendo por falta da análise
original da palavra ou acontecimento citado. Assim como erros humanos de
copistas durante os séculos na tradução da Bíblia.
__________Dinâmica – Conhecimento
Bíblico__________
Coloque o grupo numa
roda.
Escolha alguém para
começar a falar o nome dos livros da Bíblia em ordem – de Gênesis a Apocalipse –
sendo que cada um falará o nome de um livro e passando para o outro, dará a
sequência correta.
Aquele que errar sai da
brincadeira, e recomeça com o próximo do inicio. Até que fique apenas um, que ganhará
a brincadeira..
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