Aula 04 - As Religiões Afrodescendentes
“Não
se deixem levar pelos diversos ensinos estranhos. É bom que o nosso coração
seja fortalecido pela graça”. (Hebreus 13:9)
1 - Introdução
A
maior nação católica do mundo ofereceu, desde os primórdios da colonização, um
terreno fértil para a mistura de credos favorecendo o surgimento de modalidades
de fé genuinamente brasileiras. Religiões tão diversas quanto Candomblé,
Catimbó, Pajelança, Tambor de Mina, Umbanda e a face nacional do Espiritismo
formaram-se a partir de elementos comuns.
Uma
das maiores explicações para o sincretismo brasileiro estaria no Catolicismo
legado pelos portugueses. A fé católica que veio de além-mar é muito mais
“íntima” e “pessoal” do que a de outros países cristãos da Europa. Em Portugal
e, em seguida, no Brasil, a relação dos homens com Deus geralmente é filtrada
pelo santo da predileção de cada um. Antes de recorrer a Deus, portugueses e
brasileiros vão bater na porta do santo mais próximo. A profusão de anjos da
guarda, de rezas particulares e de toda uma sorte de benzeduras favoreceu a
mescla de elementos cristãos com outros originários dos rituais indígenas e
africanos.
Outro
elemento do Catolicismo popular que iria ser combinado com práticas religiosas
nativas é a adoração aos mortos. Procissões populares e mesmo o hábito de
“conversar” ao pé do túmulo de um ente querido favoreceram a penetração de
credos em que o contato com o mundo dos mortos é um dos elementos básicos –
como o Espiritismo.
Assim
como, no campo racial, a mestiçagem serviu para anestesiar certos conflitos, a
Igreja portuguesa soube incorporar – ou, no mínimo estrategicamente, não quis
condenar – algumas manifestações religiosas inspiradas no Catolicismo que
surgiram ao longo da história brasileira. Festas populares repletas de
elementos de outros credos, divindades africanas que poderiam ser “permutadas”
por equivalentes na fé cristã:
·
Exú
– Santo Antônio de Pemba ou santo Antônio
·
Oxalá
– Jesus Cristo ou Senhor do Bonfim
·
Ogum
– São Jorge
·
Oxóssi
– São Sebastião ou Santo Antônio
·
Xangô
– São Pedro ou São Jerônimo
·
Omolú
– São Lázaro ou São Roque
·
Logun
Edé – Santo Expedito
·
Oxum
– Nossa Senhora Aparecida ou Nossa Senhora da Conceição
·
Iemanjá
– Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora dos
Navegantes ou Nossa Senhora da Glória.
·
Iansã
– Santa Bárbara
·
Nanã
Buruquê – Nossa Senhora Sant’ana
·
Ibeji
– Cosme e Damião
A
forma encontrada para o fim da discriminação diz muito sobre a alma brasileira:
quando brancos de classe média, com conhecimento do Espiritismo, ingressaram
nos terreiros, a nuvem de preconceito rapidamente dissipou.
A
Umbanda é um caso exemplar dessas transformações da religiosidade brasileira.
Mesclando os principais ensinamentos do Espiritismo com o ritualismo e a força
teatral do Candomblé, a Umbanda fez com que o preconceito contra práticas
africanas – no idioma da discriminação, todas as religiões negras são “macumba”
fosse diminuindo com o passar dos anos graças à frequência de um público de
maior poder aquisitivo.
Paradoxalmente,
no momento em que a Igreja parou de discriminar outras crenças, incorporando
elementos africanos e indígenas, as igrejas neopentecostais – ou evangélicas –
desestimulam seus fiéis à prática do sincretismo e associando à prática de
satanismo, o que é biblicamente correto (1 Co
10:14-33).
2 – Sua Origem
As
religiões Afro-brasileiras surgiram após a junção da cultura de diversos povos
africanos trazidos entre os séculos XVI e XIX. Elas possuem influências de
religiões vindas da Europa, como a Catolicismo e o Kardecismo. Além disso, elas
possuem características especificas de cada região do país.
Durante
os quatro séculos, cerca de 3,5 milhões de africanos chegaram ao Brasil como
escravos. Entre eles, povos de etnias: iorubás, fons, maís, hauçás, éwés,
axântis, congos, quimbundos, umbundos, macuas, lundas e diversos outros povos,
cada qual com sua própria religião e cosmogonia.
Como
as religiões foram se formando em diversas regiões e estados do país, elas
foram aderindo formas diferentes umas das outras, inclusive os nomes.
As que
mais se destacaram na época, assim como nos dias de hoje, são o Candomblé e a
Umbanda. Além dessas, outras religiões também possuem características
africanas, como Xangô e a Jurema, também conhecida como Catimbó.
Quando
se fala em sincretismo no Brasil logo se associa as religiões Afro-brasileiras,
pois foram construídas após a colonização.
2.1 - Candomblé
O
Candomblé uma religião regionalizado no Brasil, porém com características
trazidas pelos negros da África. Como nessa época a Igreja Católica proibia os
rituais africanos, os negros usavam as imagens católicas como símbolo, mas
continuavam cultuando seus Orixás, Inquices e Vodus.
Para o
Candomblé, os orixás são deuses supremos, possuindo habilidades e
personalidades diferentes, assim como as formas de rituais. Estes também
escolhem as pessoas que utilizam para incorporar no ato do nascimento, podendo
compartilhá-lo com outro orixá, caso necessário.
2.2 - Umbanda
A
Umbanda é uma junção de diversas religiões que chegaram ao Brasil, como o
catolicismo, espiritismo e as religiosidades africana, indiana e indígena.
Bastante confundida com o candomblé, a Umbanda possui três princípios básicos
que são: fraternidade, caridade e respeito ao próximo.
Seus
fundamentos são:
·
Existência
de um único Deus, supremo e onipotente, conhecido como Zambi, Olorum ou
simplesmente Deus;
·
Existência
dos orixás, seres do Plano Superior que representam, cada um à sua forma,
elementos da natureza, do planeta ou das próprias características humanas;
·
A
mediunidade como forma de comunicação entre as esferas física e espiritual;
·
Crença
na alma imortal e na reencarnação;
·
Crença
na Lei Cármica, no qual se baseiam as ações do homem e suas consequências;
2.3 - Jurema
Jurema,
também conhecida como Catimbó Jurema, nasceu da junção ocorrida entre as
espiritualidades indígenas, europeia e africana, no século XVI.
Nessa
religião, o Exu é a entidade responsável por auxiliar os mestres na realização
dos trabalhos. Diferente do que ocorre na Umbanda, onde os Exus possuem
entidades distintas, na Jurema há hierarquia onde todas as entidades são
subordinadas a autoridade Mestre, que é o Exu.
Os
seguidores dessa religião possuem uma grande atuação com as ervas,
principalmente com a árvore que deu o nome à religião. Da planta, eles utilizam
raízes, cascas e folhas, tudo com o intuito de obter a cura de enfermidades.
3 – Comissionamento
Pregar
a uma pessoa de religião afrodescendente requer mais jejum e oração do que
argumentação, propriamente dita.
É um
campo muito espiritual. Não tem muita racionalidade. Para tanto, é preciso
estar resguardado em Deus e estar protegido pela Sua Palavra para que não seja
afetado espiritualmente.
A
pregação em si acontecerá a partir do momento que sua presença o afete de
maneira que ele não saiba discernir. Pois acredite, Cristo em sua vida o
afetará.
Todos
dessa religião trazem um espirito oprimido e percebem uma alma leve quando a
encontram, e isso fará com que a abordagem passe para eles, que logo desejarão
entender quem é você e por que “seu espírito é evoluído”. Eis a oportunidade de
lhes apresentar Deus, o grande protetor e poderoso Ser que habita em você.
Apesar
de não creem, respeitam a Bíblia, e você poderá citá-la sem nenhum
constrangimento. Não afronte sua fé, e nem confronte seus rituais, apenas lhes
apresente o Deus Santo e Poderoso, invencível e sobrenatural.
A
curiosidade já será o bastante para desejarem ir numa igreja e saber como é o
culto a esta divindade. Não se preocupe com o dia, quem vai pregar a liturgia
do culto nesse dia, o Espírito Santo fará o que for preciso para ofendê-lo no
lugar certo e penetrar sua alma.
Segunda – 2 Corintios 3
Terça – Salmo 18
Quarta – Salmo 91
Quinta – Naum 1
Sexta – Salmo 7
Sábado – Salmo 22
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