MÓDULO III - ECLESIOLOGIA: Aula 01 - O Católico Apostólico Romano

  

“Irmãos, lembro-vos do Evangelho que vos preguei, o qual também vós recebestes e no qual estais firmes. Por meio dele também sois salvos, desde que vos apegueis com convicção à Palavra que vos anunciei; caso contrário, tendes crido em vão. Porquanto, o que primeiramente vos transmiti foi o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, conforme as Escrituras”.  (1 Co 15:1-4/KJA)

 

1 – Introdução

 

Certo padre, conta que na sua busca pela verdade do Evangelho sentia grande dificuldade em ouvir os pregadores do evangelho. Os programas de rádio evangélicos falavam constantemente sobre muitas coisas que ele tinha de fazer para aceitar Jesus em seu coração, e de maneira semelhante, os folhetos evangelísticos falavam a respeito de quanta dedicação e compromisso era necessário para tomar uma decisão por Cristo.

Depois de uma busca agonizante, em face de haver sido ensinado no que tinha de fazer para ser salvo, descobriu que a primeira verdade a ser biblicamente compreendida a respeito do evangelho é que ele se refere à pessoa do Senhor Jesus Cristo, conforme disse Paulo em Romanos 1:3. Enquanto é proclamado a todos, o evangelho nada fala a respeito de Cristo ser aceito no coração; ele está centralizado no Senhor Jesus Cristo, sua fidelidade, sua morte e ressurreição, e no fato de nós sermos aceitos nEle, por intermédio da Sua graça.

O grande obstáculo do evangelho é o silêncio. Por nos mantermos calados, esperando que nossa vida cristã testemunhe por si mesma, falhamos em cumprir o mandamento do Senhor. O mandamento “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” significa sair e anunciar a Palavra a todos, inclusive aos católicos.

A maioria das freiras, padres e católicos hoje convertidos, testemunham que nenhum crente evangélico jamais se aproximou deles para lhes falar sobre a salvação. O mandamento de Cristo que nos ordena anunciar as boas-novas não é um pedido, é uma ordem.  Então por que a igreja não tem obedecido?!

2 – Como não Devemos Evangelizar

 

Ao evangelizar um católico, precisamos estar absolutamente consciente de não lhe apresentar qualquer mensagem que envolva um processo. O católico tem sido constantemente ensinado a respeito de como fazer coisas para tornar-se agradável a Deus, sua vida religiosa está cheia do que fazer cheia de regras, e isso soaria mais do mesmo para ele. Por isso muitos respondem, “nós cremos no mesmo Deus, mas de forma diferente”, findando aí a evangelização.

Quando nos aproximamos de um católico, temos de falar sobre o que Cristo fez por nós através da graça, a forma que nos deu tudo o que precisávamos e a maneira que agora podemos descansar na Sua promessa de Redenção. Utilizar expressões como “aceite a Jesus no coração” ou “entregue sua vida a Cristo” não faz o menor sentido para eles que também creem em Jesus como Filho de Deus.

E na verdade, esse tipo de coisa não é Bíblico, mas apenas um ritual acrescido no século XVIII.

2.1 – Fazendo o famoso apelo – Aceite a Cristo como seu Salvador

 

A simples aceitação de um ensinamento verdadeiro sobre a pessoa de Cristo, sem o coração ter sido ganho por Ele, e a vida ter sido devotada a Ele, é apenas mais outra etapa deste caminho “que ao homem parece direito”, mas cujo fim é caminho da morte (A.W. Pink).

 

Ao contrário do que a maioria de nós crentes imagina, o apelo feito no final do culto para que o ‘perdido’ entregue sua vida à Cristo, é uma prática relativamente nova, portanto completamente desconhecida dos apóstolos. Durante seus primeiros 1.800 anos, o cristianismo se desenvolveu sem a famosa ajuda do apelo - “Quem quiser aceitar Jesus, levante sua mão”.

Foram os Metodistas e os Evangelistas avivalistas do século XVIII que deram luz a esta novidade no cristianismo que se chama de “apelo”. Esta prática de convidar pessoas que desejam orações a colocar-se de pé e vir à frente para recebê-las surgiu de um evangelista metodista chamado Lorenzo Dow. Posteriormente o reverendo James Taylor foi um dos primeiros a chamar pessoas para virem à frente em sua igreja em 1785 no Tennessee, EUA. O primeiro uso do altar de que se tem registro com relação a um convite público aconteceu em 1799, num acampamento metodista em Rio Vermelho, Kentucky, EUA. Mais tarde, em 1807 na Inglaterra, os metodistas criaram o “banco de penitentes”.  Agora, os pecadores ansiosos tinham um local para confessar seus pecados ao serem convidados para vir à frente. Este método chegou aos Estados Unidos dentro de poucos anos. O evangelista Charles Grandson Finney (1792-1872) acatou este “banco de penitentes”. Finney começou a usar este método a partir de sua famosa cruzada de 1830 em Rochester, Nova Iorque. O “banco de penitentes” localizava-se defronte ao lugar onde os pregadores se postavam no púlpito. Ali tanto pecadores como santos carentes eram convidados a ir à frente para receber as orações do ministro. Finney elevou o “apelo ao altar” ao nível de uma obra de arte. Seu método consistia em pedir àqueles que queriam ser salvos para que se levantassem e fossem à frente. Finney tornou esse método tão popular que “após 1835, chegou a ser um elemento indispensável no moderno evangelismo”.

Com o tempo, esse “banco de penitentes” dos acampamentos feito em fazendas e beira de estradas foi substituído pelo “altar” no salão da igreja. O “caminho de serragem” usado nos acampamentos deu lugar ao corredor da igreja. Assim, pois, surgiu o famoso “apelo ao altar”. Talvez o elemento mais dominante proporcionado por Finney ao moderno cristianismo foi o pragmatismo. Por pragmatismo quero dizer a crença de que se algo funciona ou dá resultados, então deve ser apoiado ou aceito. Finney acreditava que o Novo Testamento não ensinava nenhuma forma determinada de adoração. Ele ensinava que o único propósito da pregação é ganhar almas.




O problema é que o apelo não leva em consideração a necessidade de arrependimento do pecador, como condição para a sua salvação, como as escrituras determinam, “Disse Jesus: Se não se arrependerem, todos de igual modo perecerão”. (Lucas 13.3)

Mas alguém pode observar, “mas o que pode haver de errado em algo que é extra Bíblico, se esse recurso ajuda as almas a se encontrarem com o salvador”?

Ora, ia com Ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e imãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro para fazer as contas dos gastos, para ver se em com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele. Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz. Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo (Lucas 14.25-33).   

 

Veja a diferença entre a pregação de Cristo e nossos apelos. A verdadeira conversão é algo muito mais superior e complexo do que a nossa vã teologia supõe, podemos notar isso pelos termos que Jesus apresenta para aceitar alguém ao seu lado. Na verdade nós é que precisamos ser aceitos por Jesus, e não o contrário como se diz nos púlpitos.

É impossível alguém se arrepender (segundo os padrões de Cristo) sem ter uma profunda decepção contigo mesmo.

A menos que um homem seja posto no nível de sua miséria e culpa, toda nossa pregação é vã. Somente um coração contrito pode receber um (o verdadeiro) Cristo crucificado (Robert Murray McCheyne).

 

2.2 – Criticando a Sua Fé

 

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve… Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono” (Apocalipse 3.14,20- 21).

Este é um dos versículos mal usados na evangelização de um “ímpio”. Se lermos o contexto, veremos que esta palavra foi encaminhada a igreja de Laodisséia, a pessoas já convertidas, que seguiam o Caminho e serviam a Deus. No entanto, apesar de tudo O desagradavam.

Falar para um católico que ele está errado na sua forma de crer e servir a Deus soará como ofensa, prepotência e vaidade do nosso lado. Contudo, o versículo acima pode leva-lo a percepção do verdadeiro evangelho se contextualizado.

Lembrem-se, os católicos são cristãos como nós, creem basicamente em tudo o que nós cremos e aquilo que há de discordância são os ensinos controversos, e é isso que precisa ser confrontado em amor.

3 – Aponte para a Graça Salvífica de Cristo

 

“Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo Sua misericórdia, Ele nos salvou” (Tito 3.5).

Nada que um pessoa imagina que pode oferecer a Deus em troca da salvação é aceitável diante dEle. Jesus Cristo mesmo foi o único sacrifício pelos pecados, o único sacrifício aceitável a Deus; e este sacrifício pelos pecados foi realizado completamente na cruz. O sacrifício pelos pecados está acabado. Uma pessoa é salva pela graça, por meio da fé em Jesus, o comportamento é um processo que acompanha a salvação e não a causa inicial da salvação.

Para isto, comece fazendo perguntas que façam o evangelizado pensar e chegar por si mesmo numa conclusão, para que ele entenda e não apenas seja informado a respeito da obra de Cristo. É dar razão a ele, apontar o caminho, e não simplesmente obriga-lo a caminhar. Essa diferença fará com que ele aceite a evangelização sem perceber que está sendo evangelizado, e lhe dará muito o que pensar, e através disso o Espirito Santo completará o trabalho que pertence somente a Ele.

·         Na perspectiva de Deus, qual é o propósito de nossa vida? (Efésios 1:5-6; Isaías 43:20-21)

·         Qual é a mensagem central da Bíblia? (Lucas 24:27, 44-45; Atos 10:43)

·         Deus é totalmente santo. Nós somos completamente pecadores. Então, como podemos nos relacionar com Ele? (Romanos 3:23-24; Eclesiastes 2:11; João 14:6; 1 Timóteo 2:5)

·         Como podemos ter a vida eterna? (Eclesiastes 3:11; João 3:16; Romanos 10:9-10; João 6:40; 1 Coríntios 15:51-52)

Perceba que através destas perguntas e lendo a Bíblia para respondê-las, você já estará apontando quem é o mediador entre Deus e os homens, que boas obras não salvam e que a fé em Cristo é suficiente para leva-lo ao céu. Também mostrará que o papa é falível e pecador como nós e que também carece de perdão dos pecados. Tudo isso sem mencionar quaisquer destas coisas.

3.1 - Conselhos Práticos

 

1.    Caso a pessoa lhe faça qualquer pergunta que você não saiba responder, peça um tempo, isso mostrará interesse e não ignorância no assunto.

2.    Evite a exaltação do tom de voz e muita gesticulação. Fale com amor e paciência.  Percebendo que a argumentação está virando pessoal, peça licença e diga que vocês terão outras oportunidades para conversar sobre o assunto, não permita que vire uma discussão.

3.    É extremamente importante que você use a Bíblia católica neste evangelismo, para deixar claro que não existe diferença entre as Bíblias, apenas erros de interpretação.

4.    Deixe-o a vontade, não pressione e nem obrigue a continuar a conversa.

5.    Não faça comparação entre as igrejas, liturgias de culto e nem especule sua fé, isso seria inútil para a conversação e a pessoa poderá se sentir julgada por você.

6.    Seu papel na evangelização é apontar o amor incondicional de Deus e ser canal de bênção, esperança e ânimo para outras pessoas, nunca advogado de Deus ou juiz da pessoa. O papel de conscientizar o homem do seu pecado, da justiça e do juízo de Deus, é exclusivamente do Espirito Santo.

4 – Comissionamento

 

Os católicos são ensinados por sua liderança, que os protestantes se separaram da igreja católica, no século XVI por causa das heresias de um monge chamado Martinho Lutero, que queria se casar. Mas vendo ele que não poderia fazê-lo dentro da igreja católica por causa dos votos, inventou uma insatisfação para que pudesse ser desobrigado do seu celibato, criando assim um movimento que acabou dando certo que dividiu a igreja.

Do ponto de vista católico, os protestantes são apóstatas da fé que seguem heresias infundadas de Lutero. Por isso, todo cuidado é pouco quando se trata de apontar qualquer que seja a prática católica, pois isso pode se virar contra você.

Para tanto, chegar apresentando o amor de Deus, a salvação mediante a fé em Cristo Jesus, único e verdadeiro salvador e mediador entre Deus e os homens e nossa confiança em Sua promessa de vida eterna como imutáveis, pode nos parecer simples, mas já é muito pra quem vive por normas e paradigmas romanos.

O evangelho de Cristo é simples, e isso por si só, é o suficiente para a redenção de todo e qualquer pecador.

Mostrar que todos nós somos pecadores e imerecedores do perdão de Deus, mas que apesar disso, Ele desejou nos perdoar e agiu de forma esplendorosa para nos resgatar, já é novidade para eles, pois eles não conhecem esse Deus, apenas um Deus punidor. Então aja com muito amor, paciência e, sobretudo, debaixo de jejum e oração. Plante a semente, o restante o próprio Espirito se incumbirá.

 

Devocional da Semana

 

Segunda – PECADO – Rm 3:23; 6:23; Sl 51:4-9; Jo 8:34; Tg 4:17; 1 Jo 1:8-9; 3:8; Pv 28:13; Sl 32:5.

Terça – PERDÃO – 1 Jo 1:9; Is 43:25; 55;7; Ef 1:7; Cl 1:13-14; Mq 7:18.

Quarta – REDENÇÃO – Ef 1:13-14; 1 Pe 1:18-20; Ef 1:7-8; Sl 34:22; 130:7; Lm 3:58.

Quinta – BOAS OBRAS NÃO SÃO SUFICIENTES – Ef 2:8-10; Mt 6:1-4; Ec 7:20; Lc 23:39,43; Jo 3:36.

Sexta – SALVAÇÃO – At 16:31-31; Rm 10:9; Jo 5:24; Hb 7:25; Jo 10:28; Jo 1:12; At 4:12; Is 61:10.

Sábado – NOSSO MEDIADOR DIANTE DE DEUS – 1 Tm 2;5; Hb 7:25; 8:6; 9:15; 12:24; Jo 6:68; Lc 10:25-28.

Atividade da Semana

Leia: Lc 23:33-43 e At 14:14-41, anote os principais pontos usados por Cristo e Pedro  para evangelizar, e quais atitudes os evangelizados tiveram pós evangelismo.

 

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