Aula 05 - Defesa Argumentativa da Fé

 

“Antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (1 Pe 3:15)

1 – Introdução

 

Não sei você, mas eu já ouvi algumas pessoas por aí dizendo que Deus não precisa de defesa.

Afinal, Ele é Deus, o ser mais poderoso, completo, glorioso de todo o universo. Aliás, Ele é o criador de todo este universo! Mas, por outro lado, também é verdade que muitas pessoas que estão em busca da verdade têm diversas dúvidas e questões legítimas sobre Deus.

Será que Ele de fato existe e é bom?

Se sim, por que ainda existe tanto mal, dor e sofrimento?

Se Deus existe e é bom porque o mundo encontra-se imerso em todo este caos trazido pelo Corona vírus, por exemplo?

Com certeza já tivemos ou ainda temos algumas dessas dúvidas, e, provavelmente, não temos todas as respostas.

Mas o próprio Deus nos convida a buscarmos conhecê-lo, raciocinar sobre Ele, partindo da natureza criada da sua revelação especial, a Bíblia, para encontrarmos tais respostas.

O próprio Deus nos instrui a sabermos dar a “razão da esperança que há em nós” (1 Pe 3:15). É aí que entra a apologética. Em dar razão e respostas para essas questões.

Então, vamos entender mais sobre a importância da defesa da fé.

2 – O que é Apologética

 

Apologética é uma derivação da palavra grega apologia (defesa verbal) e significa uma defesa com base em argumentos racionais e evidências para a defesa e comprovação da fé.  Logo, a apologética cristã é a disciplina teológica focada em defender a veracidade do cristianismo contra os seus opositores.

Essa compreensão da fé foi um convite que o próprio Deus fez ao profeta Isaías, que viveu por volta dos anos 765 a 681 a.C., no reino de Judá.  Como narrado no livro do profeta, o próprio Deus o convida a vir e arrazoar (pensar, raciocinar, buscar entender) com Ele e sobre Ele.

O Senhor diz: “Venham, pois, e vamos discutir a questão. Ainda que os pecados de vocês sejam como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, eles se tornarão como a lã. (Is 1:18 / NAA)

 

Ou seja, partindo da ideia de que a nossa fé é racional, histórica e passível de comprovação, buscamos defender as principais doutrinas a respeito da pessoa de Deus, demonstrando que Ele de fato existe e é o soberano criador de todas as coisas. Que é justo, bom e amoroso ao ponto de encarnar-se, morrer numa cruz e ressuscitar ao terceiro dia para prover a salvação ao mundo.

A apologética é tão antiga quanto o próprio cristianismo. A igreja cristã já nasceu apologética.

 

Quando o apóstolo João inicia seu evangelho dizendo que: “no princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus e estava com Deus… e então o Verbo se encarnou e habitou entre nós…” (Jo 1.1-14). O que ele está fazendo é apologético. Está defendendo a divindade de Cristo contra ideias opostas de que Ele era apenas um profeta, um bom mestre, um charlatão, um louco, ou qualquer outra acusação feita contra Cristo naquela época.

Do mesmo modo, está defendendo a encarnação de Cristo, contra ideias gnósticas — doutrina cujo surgimento ocorreu no século I na Grécia, século em que este apóstolo viveu, negando a existência de um corpo físico para Cristo.

O apóstolo Paulo age do mesmo modo em suas epístolas ao defender o evangelho contra as ideias judaizantes, oriundas de alguns grupos de cristãos convertidos do judaísmo. Eles defendiam que a salvação dependia além da obra de Cristo, da prática de rituais judaicos, como a circuncisão, a guarda do sábado e práticas alimentares. 

A igreja cristã nasceu apologética e permaneceu apologética, mesmo após a morte dos apóstolos.

3 - Defesa Argumentativa contra Heresia

 

Diante de toda e qualquer confrontação, é de suma importância estabelecer parâmetros para o debate. Saber se a pessoa está disposta a debater apenas dentro do que a Bíblia ensina ou também se utilizar de artigos científicos e ou experiências pessoais.

Após a delimitação, passa-se a estabelecer então as perguntas a serem respondidas.

O primeiro ponto para se refutar heresias está em conhecer a Verdade - e isto advém de duas maneiras concomitantes: estudo diligente da Palavra de deus e oração.

Se você não possui argumentos não entre em um debate teológico, seja com católico, espírita, ateu ou de qualquer seita que seja.

Ouça suas prerrogativas, anote e estude. Diga que numa segunda oportunidade você se preparará para responder as perguntas. Isso não é vergonhoso, é sábio.

O segundo ponto para se refutar heresias, diz respeito à abordagem, seja afirmativa, negativa ou imperativa. É perceber qual o ponto fraco e por onde se pode começar a desmanchar a afirmação daquela pessoa.

·         Peça base bíblica para tal afirmação (se for Bíblica);

·         Veja o contexto apresentado e averigue se a informação bate com a Bíblia;

·         Pergunte de que forma ela chegou a tal conceito, ou seja, se aquela afirmativa não é fruto apenas de uma suposição ou interpretação de terceiros.

Diante de tais argumentos, alguns podem dizer que sua crença está baseada numa cultura antiga e que de nada vale no século XXI, pois precisa ser atualizada. Diante disso, você poderá rebater:

·         A medicina possui 2500 anos, e nem por isso as pessoas descartaram-na. A base de tudo o que conhecemos hoje na ciência veio da idade antiga ou da média, e nem por isso foi desacreditada. Por que então a Bíblia, um livro que possui mais de 4000 anos de registro histórico está sendo taxado de antiquado?

E assim vai se quebrando argumento pós-argumento de maneira sensata e, sobretudo pacífica.

Assim, aprendemos que para refutar uma heresia, basta dividi-la em partes, desconstruindo aos poucos o erro, a fim de melhor debater sobre cada pormenor.

Não procure refutar tudo de uma só vez, pois além de causar confusão, certamente algo será esquecido.

4 - Argumentos Bíblicos

 

Eis alguns textos que refutam as doutrinas abaixo. Precisamos ter ciência de cada um para podermos responder aos apelos que cada seita tem levantado em nossa geração a fim de ludibriar aqueles cuja fé não está embasada nas Escrituras, mas em ensinamentos humanos voltados a sua crença.

 

·         Mariolatria – Maria era serva como nós (Lc 1:46-49); Necessitava de purificação (Lc 2:22);  Reconhecia que precisa de um salvador (Lc 1:47); Precisou de cuidados como qualquer pessoa comum (Jo 19:26-27); Idolatria é pecado (Ex 20:4-5; Is 42:8; 44:9); Jesus é o nosso mediador diante de Deus (1 Tm 2:5)

 

·         Testemunhas de Jeová – Trindade (Gn 1:1-3; Ap 22:3,17; 1Jo 5:7); Divindade de Jesus (Jo 1:1; Cl 1:15); Afirmam que o arcanjo Miguel é Jesus (Hb 1:4-8; Cl 1:16; Jo 1:3; 5:26; Ef 1:21-22); Jesus era apenas humano (Lc 1:18; Mt 1:18,35; Lc 1:35; Cl 2:7; 1 Jo 2:22-24); Não aceitam governo humano (Mt 17:24-27; 22:2; Rm 13:1-7; 1 Tm 2:1-3)

 

·         Espiritismo – Reencarnação (Hb 9:27; Ap 20:12);  Consulta aos mortos (Dt 18:9-12; 1 Sm 28:1-25; 1 Cr 10:13-14; Lv 19:31; 20:6,27; 2 Rs 21:6); Salvação pelas obras (Ef 1:12-14; Rm 4:4-5;1 Pe 2:24; Hb 1:6).

 

É claro que há uma infinidade de heresias hoje, não só dentro das seitas ditas cristãs como também dentro da própria igreja. Para isso, aconselho que anote estes conceitos e averigue nas Escrituras o que ela ensina de fato para que não seja pego de surpresa em algum embate teológico.

5 – Conclusão

 

Diante de toda e qualquer discussão, confronto ou perguntas a respeito da nossa fé, precisamos ter em mente que a nossa luta não é carnal, mas espiritual (Ef 6:12). As pessoas estão cegas pelo mundo e suas filosofias e necessitam de amor.

Não podemos trata-las como inimigas, mas ser complacente com suas dúvidas, entendendo que o príncipe deste mundo cegou seu entendimento para que não entendam as Escrituras e nem discirnam a voz do Espírito Santo (2 Co 4:4).

Que Deus possa nos capacitar a tão maravilhosa obra de evangelizar, trazendo à tona Sua vontade e propósito para a humanidade (Mt 28:18-20; Sl 96:3; At 13:47; Is 52:7).

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