Lição 04 - A Divisão da Igreja
“Quanto
àquele que provoca divisões, adverte-o uma primeira e, ainda, uma segunda vez.
Depois disso, rejeita-o... Pois vos rogo, queridos irmãos, que tomem muito
cuidado com aqueles que causam divisões e levantam obstáculos à doutrina que
aprendestes. Afastai-vos deles!... Pois se alguém chegar a vós, mas não trouxer
essa doutrina, não o recebais nas reuniões em vossas casas, tampouco o saudeis”.
(Tt 3:10; Rm 16:17; 2 Jo 1:10)
1 – Introdução
Os primeiros séculos do cristianismo se caracterizaram por
uma grande quantidade de grupos que apresentavam diferentes interpretações da
figura de Jesus e de sua mensagem. Alguns pensavam, por exemplo, que Jesus era
apenas um ser humano, ainda que especial; outros, sem dúvida, consideravam que
ele era Deus; outros ainda acreditavam que as duas naturezas – humana e divina
– habitavam nele.
Essas diferenças escondiam, muitas vezes, enfrentamentos
entre grupos e pessoas. Para tentar solucionar essas tensões, recorria-se aos
concílios. Assim, pouco a pouco foram se estabelecendo as interpretações que a
maioria e os mais poderosos acreditavam serem as corretas. Os que defendiam
pontos de vista diferentes e não aceitavam a decisão conciliar, eram chamados
de hereges e perseguidos pelos demais cristãos.
Quem
não era batizado no catolicismo, era chamado de pagão. Esse termo vem do latim paganus que designava aqueles que viviam
no campo, e que por esta razão, tinha uma relação mais próxima com a natureza e
cultuavam os elementos da natureza: sol, lua, água, fogo...
A
mensagem católica tornava todas as pessoas iguais diante dos olhos de Deus e
dava esperanças de uma vida melhor no céu e também na terra, com os laços de
solidariedade que existiam nas comunidades cristãs.
Essa
mensagem agradava os pagãos que logo se convertiam por desejar uma vida melhor.
2 - Os Concílios Ecumênicos
Os
concílios ecumênicos da Antiguidade foram reuniões de bispos nas quais se
fixaram as normas e os costumes pelos quais a Igreja seria regida.
““Ecumênico”
é uma palavra de origem greco-latina que significa referente “a toda terra
habitada, de âmbito geral, universal”. Nesses concílios decidiam-se questões
relacionadas à fé, e as posições discordantes eram condenadas como heresias.
Em
grego, essas reuniões de representantes da cidade eram chamadas synodos, e em
latim concilium, de onde vem o nome para designar as reuniões de bispos, ou
seja, reunião de representantes de cada cidade ou nação.
Durante
a Idade Média, o cristianismo tomou-se a religião predominante na Europa, da
Irlanda à Rússia, e da Grécia à península Ibérica, a mensagem cristã se impôs
sobre as outras religiões.
Ao
longo da Idade Média foram se estabelecendo as crenças oficiais que deveriam
ser aceitas por todos, e as autoridades religiosas, com o apoio das autoridades
políticas, perseguiram os que pusessem em dúvida esses pontos de vista.
O
cristianismo medieval, contudo, não era unitário. No Ocidente, o bispo de Roma,
o papa, era a autoridade máxima; no Oriente, vivia-se um cristianismo
diferente, que não reconhecia o papa como o chefe único da Igreja cristã. O que
mais tarde rachou a igreja produzindo a separação entre os católicos,
seguidores do papa de Roma, e os ortodoxos do Oriente, que diziam seguir as
formas mais antigas do cristianismo. Essa divisão aconteceu em 1054 e ficou
conhecida como o Cisma do Oriente, quando a Igreja Católica se dividiu em
Romana e Ortodoxa.
3 - A Reforma Protestante
Em
1517, ocorreu uma nova divisão dentro da Igreja Católica Romana, na qual
surgiram grupos que protestavam contra algumas regras e imposições da Igreja.
Esse movimento ficou conhecido como Reforma Protestante.
A
Reforma Protestante surgiu com as ideias do monge alemão Martinho Lutero, após
a publicação das suas 95 teses. Nesse período, as pessoas estavam insatisfeitas
com o grande poder do Papa e os abusos cometidos por membros da Igreja
Católica, o que levou Lutero a condenar a venda de indulgências e o luxo que a
Igreja desfrutava. As ideias de Lutero expandiram-se e ele foi excomungado pelo
papa Leão XIII, após ter se negado a se retratar.
Lutero
considerava a liturgia um importante momento da religião, por esse motivo
traduziu a Bíblia para o alemão, possibilitando, assim, que mais pessoas
pudessem lê-la, pois até essa data, a Bíblia só existia em latim, o que
dificultava o acesso, já que somente os papas e a grande elite da época
entendia essa língua.
Vários
conflitos e guerras entre católicos e protestantes ocorreram na história, principalmente
nos anos entre 1546 a 1555.
Durante
a Reforma Protestante, surgiram outras correntes como o calvinismo, liderado
por João Calvino, e que deu origem ao presbiterianismo, e o anglicanismo, na
Inglaterra, que surgiu do rompimento do rei Henrique VIII com a Igreja
Católica.
3.1 - O Surgimento de outros Grupos Religiosos
Os inimigos dos reformistas passaram a
se referir a seus seguidores como “luteranos”. Estes, por sua vez, preferiam
ser chamados de “evangélicos”, termo hoje muito usado para se referir aos fiéis
das igrejas protestantes. A liberdade pregada por Lutero acabaria abrindo
espaço para o surgimento de várias correntes religiosas.
O
protestantismo tem uma pedra fundamental: a autonomia. A ideia de que só Deus
salva, a subjetividade do indivíduo e a possibilidade de assumir e viver as
diferenças vai gerar uma variedade enorme de igrejas, diz o cientista da
religião João Décio Passos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP).
Isso ajuda a entender por que hoje
existem tantas ramificações entre os protestantes.
A liberdade pregada por Lutero deu
origem a várias correntes religiosas.
·
Luteranos - A ruptura com os católicos, em 1517,
lançou as bases para a expansão do protestantismo. Os luteranos condenavam o comportamento moral
dos padres católicos e acreditavam que a salvação estava nas escrituras
sagradas.
·
Presbiterianos - Inspirados no teólogo francês João
Calvino (1509-1564), pregavam a predestinação divina: ou seja, só os eleitos
por Deus se salvariam.
·
Arminianismo - O teólogo holandês James Arminius
(1560-1609) criaria depois outra vertente do presbiterianismo.
·
Anglicanos - O rei inglês Henrique VIII
(1491-1547) queria anular seu primeiro casamento para se unir a outra mulher.
Após a recusa do papa Clemente VII, ele rompeu com a Igreja Católica e criou a
anglicana em 1534, ficando livre da interferência papal.
·
Batistas - O movimento anabatista já existia
quando Lutero começou a questionar a Igreja Católica. Mas, como outras correntes protestantes, o
movimento só ganhou expressão após a Reforma. Acabou dando origem à Igreja
Batista
·
Metodistas - Surgiram na Inglaterra no século 18,
propondo reformar a Igreja Anglicana. Baseadas na crença da salvação pela fé em
Cristo, as ideias metodistas não conseguiram mudar os anglicanos, mas deram
origem a uma nova corrente protestante.
·
Pentecostais - Começaram a aparecer no início do
século 20 como uma dissidência dos metodistas. Em 1910, foi fundada a
Congregação Cristã do Brasil; no ano seguinte, a Assembleia de Deus, e em 1962,
Deus é Amor. Os pentecostais creem na cura pela fé.
·
Neopentecostais - Faz parte do grupo a Igreja Universal
do Reino de Deus, de 1977, e a Igreja Renascer em Cristo, de 1986. Os
neopentecostais têm em comum a adoção da mídia para pregar, além dos cultos
espetaculares e a realização de exorcismos.
4 – Conclusão
Muitos
textos da Bíblia, depois da divisão da igreja, passaram a ser ensinados de
acordo com o entendimento de cada grupo religioso e não mais de acordo com os
concílios, o que dava mais liberdade a esses grupos de confirmarem suas teses
teológicas ao invés de ensinarem àquilo que de fato as Escrituras pregam.
Evidente
que existem dezenas de outros grupos, como As Testemunhas de Jeová[1], os Mórmons[2], os Adventistas do sétimo
dia[3], o Judaísmo Messiânico[4] e por aí vai.
Por
isso, é muito importante conhecermos o que de fato a Bíblia ensina para que
possamos estar preparados para todo tipo de heresia que se levantar nesses
últimos dias.
É
sobre isso que estudaremos na próxima aula.
[1] Uma denominação cristã milenarista e
restauracionista com crenças não trinitárias, que se difere de grande parte do
Cristianismo. Criada no final da década de 1870 por Charles Taze Russell.
[2] Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos
Santos dos Últimos Dias, também conhecidos como Santos dos Últimos Dias (SUD)
ou mais popularmente conhecidos como Mórmons, fazem parte de um grupo religioso
restauracionista iniciado no século XIX nos Estados Unidos e liderado
inicialmente por Joseph Smith Jr.
[3] É uma denominação cristã restauracionista,
protestante, trinitariana, sabatista, mortalista, não cessacionista, que se
distingue pela observância do sábado como dia do Senhor, o sétimo dia da semana
judaico-cristã (sabbath) e por sua ênfase e influencia vinda do judaísmo em sua
doutrina e na iminente segunda vinda de Jesus Cristo. A igreja surgiu após o
Grande Desapontamento de 22 de outubro de 1844, desencadeado pelo Movimento
Milerita nos Estados Unidos, durante a primeira metade do século XIX, sendo
formalmente criada em 1863. Entre seus vários pioneiros está Ellen White, cujos
escritos são tidos pelos adventistas como inspirados por Deus.
[4] O Judaísmo Messiânico não é um movimento
completamente novo, mas antes a ressurreição de um movimento muito antigo. O
termo "Judaísmo Messiânico" identifica o movimento que leva aos
judeus o conhecimento de que o Messias dos judeus já veio, era também a identidade
dos apóstolos e a comunidade de seguidores judeus "do Caminho" no
primeiro e segundo séculos. O Judaísmo Messiânico é considerado por seus
partidários como a mais recente fase no desenvolvimento histórico do autêntico
Judaísmo Bíblico. É a religião de Abraão, Moisés, Davi, e dos profetas,
cumprida pela vinda de Yeshua (Jesus) o Messias.
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