Aula 02 - O Surgimento do Cristianismo
“Entretanto,
muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus
Cristo veio em carne. Esse é o modo de ser do mentiroso e do anticristo. Acautelai-vos,
para não destruirdes a obra que realizamos com zelo, mas para que, pelo
contrário, sejais recompensados regiamente. Todo aquele que não permanece no
ensino de Cristo, mas acredita estar indo além dele, não tem Deus; porquanto,
quem permanece na sã doutrina tem o Pai e também o Filho. 10Se alguém chegar a
vós, mas não trouxer essa doutrina, não o recebais nas reuniões em vossas
casas, tampouco o saudeis. Porque aquele que lhe dá boas-vindas, torna-se
cúmplice das suas obras malignas.” (2 Jo 1:7-11 / KJA)
1 – Introdução
As heresias
nascem da fé numa interpretação ou da vaidade e da corrupção do coração do
homem. No tempo dos apóstolos, as igrejas cristãs estavam em formação, e ainda
não havia problemas com heresias nascidas dentro do movimento cristão. Porém, a
igreja experimentaria as diversidades de estilos da prática da fé judaica no
Deus Criador. Afinal, foi do judaísmo que nasceu a igreja cristã. Com isso a
igreja seria herdeira de algumas heresias que já estavam se movimentando e já
estavam colocadas em prática ainda antes do surgimento dos apóstolos, visto que
o povo de Deus, em sua história, já havia se relacionado com o paganismo.
Porém, nem tudo
era tão herege para a igreja, pois ela ainda iria ser formada. Mas, na sua
carreira apostólica, vários foram os combates da igreja em defesa da fé.
Existiam
ao menos quatro ramificações do judaísmo que influenciariam ou perseguiriam a
igreja nos seus primeiros séculos de vida ou vice versa.
Os
principais ramos ou estilos de crenças eram:
·
Os Fariseus – que se dedicavam a lei escrita e
oral. Divididos em dois grupos de líderes das famosas escolas da época: escolas
de Hilel e de Shamai.
·
Os Saduceus – um grupo mais politico que religioso,
que se misturava aos gregos e romano, não concordavam com a lei oral e não
criam em vida após a morte, nem no mundo espiritual.
·
Os Essênios – grupo que se dedicava as orações, ao
batismo como ato de purificação e viviam no deserto, separados como
comunidades. João Batista e Jesus conviviam de perto com eles (Atos 18:25).
·
Os Zelotes – que era mais um movimento do que
grupo. Sua preocupação era derrubar os romanos e reinstaurar a monarquia
judaica em Jerusalém. Seu estilo de fé era mais farisaico.
2 - O Surgimento do Cristianismo
Foi
bem no meio desses movimentos de fé que surge mais uma vertente do judaísmo,
chamado pelos romanos de Caminho, conhecida depois pelo mundo inteiro como
“Cristianismo”, vertente judaica de onde veio Jesus, os apóstolos, e que logo
em sua formação foi considerada como “os seguidores do Caminho” (Atos 9:2; Atos 24:14 e João 12:6). Jesus se
apresentou aos seus seguidores como o Filho de Deus, o descendente de Davi, o
Caminho, a Verdade e a Vida. Os seguidores de Cristo logo se desligaram dos
ritos judaicos, e apresentaram ao mundo as Boas Novas de Salvação, que fora
pregada pelos profetas, sobretudo por Isaias. Os fariseus consideravam o Cristo
prometido como mais um líder de revolta contra a Lei e os costumes judaicos, ou
seja, um líder de seita judaica. Logo, o cristianismo, segundo os principais
judeus, era mais uma seita depois dos zelotes, a mais nova dentre os que
receberam a lei de Deus, os hebreus.
3 – O Cristianismo Primitivo
Esta etapa da história do cristianismo de aproximadamente três séculos, iniciou
após a Ressurreição de Jesus (29 d.C.) e terminou em 325 com a celebração do
Primeiro Concílio de Niceia. Foi tipicamente dividido em Era Apostólica ou Período
Ante-Niceno.
A mensagem inicial do Evangelho foi espalhada oralmente, provavelmente em
aramaico. Os livros do Novo Testamento, os Atos dos Apóstolos e a Epístola aos
Gálatas registam que a primeira comunidade da igreja cristã foi centrada em
Jerusalém e tinha entre seus líderes Pedro, Tiago, João, e os apóstolos.
Os primeiros cristãos, como descrito nos primeiros capítulos dos Atos dos
Apóstolos, ou eram judeus ou eram gentios convertidos ao judaísmo, conhecidos
pelos historiadores como judeus-cristãos. Tradicionalmente, Cornélio, o centurião,
é considerado o primeiro gentio convertido.
Mas foi no final do século I, que o cristianismo começou a ser
reconhecido interna e externamente como uma religião separada do judaísmo
rabínico.
Logo
no começo, os cristãos sofreram perseguições porque se recusavam a adorar os
deuses romanos e homenagear o imperador como um ser divino.
No
século IV, Constantino aliou-se politicamente com o cristianismo e terminou com
a perseguição aos cristãos promulgando o Édito de Milão tornando-se a religião
oficial do Império Romano. Segundo Will Durant, a Igreja cristã prevaleceu
sobre Paganismo porque oferecia uma doutrina muito mais atraente e porque os
líderes da igreja se dirigiam as necessidades humanas melhor do que seus
rivais.
O Primeiro
Concílio de Niceia marcou o fim desta era e o início do período dos sete primeiros
concílios ecumênicos (325 - 787) responsáveis pela organização doutrinária da
igreja e a institucionalização como Religião.
4 – O Concilio de Niceia
O
Imperador Constantino teve um sonho, e depois desse sonho começou a vencer suas
batalhas para conquistar a hegemonia do governo usando um símbolo cristão
criado por ele. Com isso, decretou todo império romano como cristão.
Curioso
notar que o império romano se “torna cristão” por um decreto de um imperador e
não por um novo nascimento, conforme nos diz o ensinamento de Jesus.
Constantino
se inclina ao cristianismo, acaba com as perseguições aos cristãos, funde o
império com o cristianismo, mas continua adorando ao “sol invicto”.
Essa
fusão foi feita a fim de conseguir um objetivo: a autoproclamação de porta-voz
de Deus.
As
decisões deste concílio são até hoje relevantes ao cristianismo, pois dizem
respeito à definição de crenças essenciais e ao calendário das festas
religiosas como a Páscoa.
4.1 - O Credo Niceno
Cremos
em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e
invisíveis. Ε em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito
do Pai, isto é, da substância do Pai; Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro
de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; por quem foram
feitas todas as coisas que estão no céu ou na terra. O qual por nós homens e
para nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem. Padeceu e ressuscitou
ao terceiro dia e subiu aos céus Ele virá para julgar os vivos e os mortos. E
no Espírito Santo.
E quem
quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que
antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não
existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que
ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem
assim, são anatematizados pela Igreja Católica e Apostólica.
4.2 - Conceitos que permeavam na Época
Este
texto é de 18 de maio de 325 d.C, e dá ideia de como foi o Concilio de Niceia, que
marcou os parâmetros da fé cristã institucionalizada.
A
linha luminosa do horizonte sobre as águas calmas do lago Ascani parecia uma
costura que unia as águas da terra com o céu. Cornélio e Troas se voltaram para
contemplar o encanto daquele precioso amanhecer. O sol subia silencioso por
trás da colina de Niceia, tingindo aquela linha de cores variadas.
─
Olhe, a Terra é redonda, mas ninguém acredita nisso – disse Troas. – Veja essa
linha no horizonte, não é uma reta, é uma curva, eu vejo. A Terra redonda como
a Lua e o Sol. A Terra é redonda... e se move ao redor do Sol?
─
Você acha pouco o que os bispos estão trazendo nas mãos estes dias? Estamos
ficando loucos? Terão que passar muitos séculos para que a Terra seja redonda.
Continuaremos vivendo em uma Terra plana – interrompeu Cornélio.
─
É isso o que eu quero dizer: continuamos vivendo e acreditando no que queremos.
Constantino nos assusta, assim como a fraqueza do império, as perseguições de
Diocleciano, com mais mortos do que muitas guerras sangrentas: sem nos darmos
conta, só pensamos em algo que possa nos trazer paz e tranquilidade. O que
aconteceria se descobríssemos, um dia, que a Terra é redonda? Seria preciso
matar todos os que não acreditaram nisso? O que aconteceria se, nos dias do
Concílio, chegássemos à conclusão de que o Nazareno não era o Filho de Deus,
mas sim um homem como nós? Seria preciso matar todos os que são felizes
adorando a Cristo como Deus?
─
Vejo-lhe pessimista, Troas. Você pensa que o concílio vai impor o Credo de
Eusébio de Cesareia? Dizem que Ósio pediu que se estabeleça que os diáconos e
os presbíteros, uma vez ordenados, já não poderão se casar. Você vê algum
sentido nisso? Vão formar com eles uma classe privilegiada, superior a nós,
leigos, e seremos apenas um apêndice da Igreja. A Igreja serão eles sozinhos,
os homens, excluindo as mulheres, é claro: "A Igreja ensina, a Igreja
manda, a Igreja não se equivoca".
─
Nem me fale. Os bispos que estão chegando nestes dias são em sua maioria
arianos. Eles não poderão permitir que se dê um passo atrás. Por outro lado, o
bispo de Nicomedia, que fará a defesa do arianismo, é muito inteligente e vai
deixar claro que aqui a verdadeira heresia é a de um Deus feito homem e só para
dar autoridade a alguns homens. Isso é o que tem que mudar.
─
Exato – continuou Troas –, a única seita que se separou da verdade do Nazareno
é a que se amparou nas filosofias gregas de Sócrates e de Platão, e em seus
seguidores, João e Paulo: as ideias eternas e espirituais, o Logos oposto à
realidade sensível e corrupta, o dualismo do pecado, a condenação, a salvação,
o sexo, a segregação: homem e mulher amo e escravos, ricos e pobres, tudo isso
vai ficar enterrado aqui em Niceia como restos de um passado incerto. Agora
sim, para os que queiram continuar vivendo de boa fé neste mundo onde sentem à
vontade, o arianismo vai ser uma intolerável heresia. Devemos aprender a
conviver com cada um, respeitá-los e nunca condenar ninguém: "Nem eu te
condeno", ensinou-nos o Nazareno.
Os
dois amigos ficaram em silêncio, absortos em seus pensamentos. Faltavam dois
dias para o começo do Concílio, e Cornélio se preparava para receber vários
participantes que se hospedariam em sua casa.
As
crianças saíam por todas as partes para ver os convidados chegando. Correndo
pela íngreme estrada, se divertiam como se fosse uma festa. Alguns cavalos que
subiam por essa encosta esporeados por seus ginetes não conseguiram interromper
suas brincadeiras: "Buscamos Cornélio!".
─
Sigam até a colina, aquela é a sua casa.
O
bispo de Cesareia chegou sem mais companhia do que dois presbíteros que
cavalgavam com ele.
─
Bem-vindo à Niceia, Eusébio. Descanse, tome algo e una-se a nós. Estávamos lhe
esperando.
─
Pelo que dizem, vai ser um Sínodo sem o Bispo de Roma – indicou o recém-chegado
–, mas ele vai ser o maior Sínodo da Igreja. Sabe-se que Constantino convidou
800 bispos do Ocidente e 1.000 do Oriente. Ele vai ser a maior força para
chegar a um consenso. Há "bispos" da Igreja que aplaudem a
perseguição, tortura e morte de outros cristãos, como remédio contra a heresia.
Um espírito de vingança carnal se apoderou de suas almas. Uma intolerância
feroz, egoísta e violenta. Só a adesão ao verdadeiro credo pode acabar com
essas afrontas.
─
Isso é horrível – respondeu Cornélio. – Dizem que você terá que presidir,
Eusébio. Ósio ainda está a caminho, e ninguém sabe quando chegará. Parece que o
Imperador o convidou pessoalmente. O bispo de Córdoba foi quem mais influenciou
na sua conversão ao cristianismo, segundo dizem.
─
Constantino se converteu sob a influência de sua mãe, Elena, que encontrou em
Jerusalém os paus da cruz de Cristo e os levou para Roma, entregando-os ao Papa
Silvestre. O imperador mandou pintar o símbolo da cruz no escudo de todos os
seus soldados e, na batalha da Ponte Mílvia, derrotou Maxêncio. Ele admira a
Igreja: sabe que nenhum de seus súditos pagãos daria sua vida por crença
nenhuma. Segundo ele, essa é a religião que pode salvar o império e atrair os
novos povos do norte da África, destruindo o seu paganismo. Ele quer organizar
a Igreja como um exército, com generais, os bispos, obedientes ao bispo de
Roma.
─
Sim, claro – respondeu Cornélio – In hoc signo vinces[1].
Com o mesmo sinal Constantino se impôs ao Papa Silvestre. Silvestre não para de
enriquecer com os benefícios do Imperador, que acaba de lhe presentear um de
seus palácios. Constantino deve ter lhe ordenado para que ele ficasse em Roma,
para que ele seja aquele que vai ganhar aqui mais uma batalha, a batalha contra
Ário. Se fosse assim, essa batalha mudaria o rumo da história e da civilização.
As gerações vindouras continuariam reduzidas ao silêncio pelas decisões
nefastas de Niceia. Aparecerão mais "Constantinos", que usarão a
Igreja e Jesus Cristo para justificar suas atrocidades, tudo em nome de Deus. É
uma pena que nós, os leigos, não tenhamos nem voz nem voto em tudo isso. A
Igreja nos converteu em uma casta.
Eusébio
de Cesareia respondeu sucintamente:
─
Ário é quem deveria se apresentar perante o Concílio e expor suas doutrinas. Eu
trago o Credo da Palestina para que os bispos o assinem. A presença de
Constantino será decisiva para obter a unidade. A garantia da unidade na Igreja
começa com a obediência cega aos bispos e ao papa.
A
postura do bispo de Cesareia foi seguida por um silêncio ensurdecedor. Como era
possível que um homem tão culto e conhecido pelo seu passado ariano se
colocasse agora mais perto de Constantino do que da tradição do Nazareno?
Ouviram-se
mais cavalos chegando. Um jovem forte, visivelmente cansado pelos desconfortos
de uma longa viagem, entrou no recinto.
─
Minhas saudações a todos os presentes e em particular ao senhor Cornélio, a
quem o bispo de Córdoba envia esta carta. Sou Teodósio e me sinto feliz por
estar aqui com vocês.
─
Obrigado, Teodósio, bem-vindo a Niceia. Espero que nos traga boas notícias do
bispo de Córdoba. Vá descansar, e amanhã poderemos saudar também o bispo de
Nicomedia, que se unirá a nós.
Este
texto nos mostra de modo bem resumido como cada bispo chegou ao Concilio com
suas teorias e conceitos a respeito de vários assuntos, impondo suas ideias em
troca do voto nas resoluções que seriam decididas no Concilio. Por isso, tantos
conceitos pagãos foram inseridos no cristianismo e perpetuados até hoje.
5 – O que é Falsa Doutrina?
A
doutrina é “um conjunto de ideias ou crenças que são ensinadas ou consideradas
verdadeiras”.
A
doutrina bíblica refere-se aos ensinamentos que se alinham com a Palavra
revelada de Deus, a Bíblia. A falsa doutrina é qualquer ideia que acrescente,
retire, contradiga ou anule a doutrina dada na Palavra de Deus. Por exemplo,
qualquer ensinamento sobre Jesus que negue o Seu nascimento virginal é uma
doutrina falsa porque contradiz o claro ensino da Escritura (Mt 1:18).
Já no
primeiro século d.C, a falsa doutrina já estava se infiltrando na igreja, e
muitas das cartas do Novo Testamento foram escritas para tratar desses erros (Gl 1:6–9; Cl 2:20–23; Tt 1:10–11).
Paulo
exortou seu discípulo Timóteo a se precaver contra aqueles que estavam
espalhando heresias e confundindo o rebanho: “Se alguém
ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus
Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende. Esse
tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de
palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e
atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados
da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro.” (1 Timóteo 6:3-5 /
NVI)
Como
seguidores de Cristo não temos desculpa para permanecermos ignorantes porque
temos “todo o desígnio de Deus” (At 20:27) disponível
nas Escrituras.
É
importante ressaltar a diferença entre falsa doutrina e discordâncias
denominacionais. Diferentes grupos congregacionais veem as questões secundárias
nas Escrituras de maneira diferente. Essas diferenças nem sempre são devidas a
falsas doutrinas da parte de ninguém, mas políticas da Igreja, decisões
governamentais, estilo de culto, etc.
A
falsa doutrina é aquela que se opõe a alguma verdade fundamental ou àquilo que
é necessário para a salvação. Por exemplo:
·
O inferno não existe, ou é aqui- A Bíblia descreve o inferno como um
lugar real de tormento eterno, o destino de toda alma não regenerada (Ap 20:15; 2 Te 1:8). Uma negação do inferno contradiz
diretamente as próprias palavras de Jesus (Mt 10:28;
25:46) e é, portanto, uma falsa doutrina.
·
“Todo caminho leva a Deus” - Essa filosofia se tornou popular
recentemente sob o pretexto de tolerância. Esta falsa doutrina afirma que, uma
vez que Deus é amor, Ele aceitará qualquer esforço religioso, desde que o
praticante seja sincero. Tal relativismo cospe na face de toda a Bíblia e
efetivamente elimina qualquer necessidade do Filho de Deus de se tornar carne e
ser crucificado em nosso favor (Jr 12:17; Jo 3:15–18). Também
contradiz as palavras diretas de Jesus de que Ele é o único caminho para Deus (Jo 14:6).
·
Qualquer ensinamento que redefina a
pessoa de Jesus Cristo -
A doutrina que negue a divindade de Cristo, o nascimento virginal, Sua natureza
sem pecado, Sua morte real ou Sua ressurreição física é uma doutrina falsa. Muitas
denominações principais têm iniciado a rápida queda à apostasia ao declarar que
não mais se apegam a uma interpretação literal da Escritura ou da divindade de
Cristo. 1 Jo 4:1–3 deixa claro que uma negação
da Cristologia bíblica é “anticristo”. Jesus descreveu os falsos mestres dentro
da igreja como “lobos disfarçados em ovelhas” (Mt
7:15).
·
Salvação pelas obras -
Este ensinamento pode até por fora ensinar a salvação por meio da fé, mas ao
mesmo tempo insiste que rituais ou costumes sejam salvíficos. Rm 11:6 adverte contra tentativas de misturar graça
com obras. Ef 2:8–9 diz que somos salvos pela
graça de Deus, pela fé, e nada do que fazemos pode acrescentar ou tirar dela. Gl 1:6–9 pronuncia uma maldição sobre qualquer um que
mude as boas novas da salvação pela graça.
·
Estamos vivendo a Era da Graça, a Lei
acabou - Essa falsa
doutrina sugere que tudo o que alguém deva fazer para ser justificado diante de
Deus é acreditar em Jesus, pois todo o mais Ele já fez. Paulo lidou com esse
pensamento em Rm 6. Em 2
Coríntios 5:17 afirma que aqueles que estão “em Cristo” se tornam “novas
criaturas”. Essa transformação, em resposta à fé de um crente em Cristo, muda o
comportamento exterior. Conhecer e amar a Cristo diz respeito a obedecer a Seus
mandamentos, ou seja, a Lei de Deus (Lc 6:46).
Satanás
tem confundido e pervertido a Palavra de Deus desde o Jardim do Éden (Gn 3:1–4; Mt 4:6). Os falsos mestres, os servos de
Satanás, tentam aparecer como “ministros de justiça” (2
Co 11:15), mas serão conhecidos pelos seus frutos (Mt 7:16).
6 – Conclusão
Desde
os tempos apostólicos sempre houve ensinos e tendências diversas na fé em Deus.
O erro e a heresia sempre se fizeram presentes. O mais conhecido dos problemas
nos primeiros tempos da Igreja talvez seja a controvérsia judaizante que Lucas
trata em Atos 15.
Os
demais autores do Novo Testamento também lidaram com mestres heréticos. Judas,
Pedro e João os denunciaram e os combateram (Jd
1:11-13, 16-17; Tt 1:9-14; 2 Pe 2:1-3).
As
heresias afastaram os discípulos de Cristo de seu Mestre, a igreja de sua Cabeça
e os filhos de Deus, de seu Pai. Elas surgiram muito antes da igreja haver
nascido como conhecemos hoje.
A
história e o Novo Testamento Bíblico nos mostram que o principal objetivo da
Igreja Primitiva era a submissão total aos ensinamentos dos apóstolos, que era
uma reprodução dos ensinos de Jesus, a Vontade do Pai, a qual já houvera sido
sinalizada pelo profeta Isaias. Desta forma, eles definiram o caráter daquilo
que é chamado hoje de cristianismo.
Em
termos terrenos, o cristianismo, que nasceu do judaísmo, e foi desacreditado
por judeus, romanos e gregos, não atendeu aos planos dos governantes humanos,
mas se perpetuou primeiramente através dos apóstolos da igreja primitiva,
vencendo várias investidas de seus algozes.
Com a
institucionalização do Cristianismo através da igreja Católica trazendo
práticas pagãs, conceitos filosóficos e pensamentos partidários, logo começaram
a surgir grupos revoltosos que dissiparam da igreja formando seitas e outros
grupos religiosos, dividindo a igreja com novos pensamentos que se tornaram
práticas conhecidas até hoje. É sobre isso que estudaremos na próxima aula.
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