Lição 02 – A Origem do Pecado

 

 “... Eis que o pecado está à porta, à sua espera. O desejo dele será contra você, mas é necessário que você o domine”. (Gênesis 4:7b / NAA)

 

1 – Introdução

 

A origem do pecado é considerada uma das mais profundas discussões da filosofia e da teologia. É um problema que se impõe naturalmente à atenção do homem, visto que o poder do mal é forte e universal, uma doença sempre presente na vida e em todas as manifestações desta, e é matéria da experiência diária na vida de todos os homens. É importante estudar sobre o pecado, pois as consequências dele causaram mudanças drásticas no homem e na sociedade, deixando-os perdidos, necessitando se reencontrar.

Nos primórdios da igreja, não se falava definidamente da origem do pecado, todavia a ideia predominante se originou na voluntária transgressão de uma ordem direta de Deus e queda de Adão no paraíso, tornando-o de fato o primeiro pecador.

A bíblia, tanto no AT como no NT, registra várias palavras que descrevem aspectos diferentes do pecado, na vida do indivíduo e na sociedade. E tais palavras, procedem de uma mesma atitude básica: A rejeição da vontade de Deus, em favor da vontade do próprio indivíduo.

Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; e o seu ouvido não está surdo, para não poder ouvir. Mas as iniquidades de vocês fazem separação entre vocês e o seu Deus; e os pecados que vocês cometem o levam a esconder o seu rosto de vocês, para não ouvir os seus pedidos. (Isaías 59:1-2)

2 – O Pecado Originou dos Anjos

 

A Bíblia nos ensina que, na tentativa de investigar a origem do pecado, devemos retornar à queda do homem, antes de Gn 3. Após cada criação, Deus afirmava que era bom e após a criação do Homem Deus viu que era muito bom, então, de onde surgiu o mal e o pecado? Deus criou um grande número de anjos, e estes eram todos bons, quando saíram das mãos do seu Criador, Gn.1.31.

Mas ocorreu uma queda no mundo angélico, queda na qual legião de anjos se apartou de Deus. A ocasião exata dessa queda não é indicada, mas em Jo 8:44 Jesus fala do diabo como assassino desde o princípio, e em (1 Jo 3:8) diz João que "o diabo peca desde o princípio". Sendo assim, o pecado original antecede a queda do homem, ocorrendo na queda de Satanás.

Dois textos são usados para descrever a queda do Diabo: Is 14 e Ez 28. Em Ez 28, existe uma analogia com o Rei de Tiro e a figura de Satanás. Isto pode ser uma indicação da origem do pecado na vida de Satanás. O texto indica que foi o orgulho que deu origem ao pecado do Diabo. Orgulho na tentativa de ser igual ou superior a Deus, mesmo motivo usado para a tentação de Adão.

Todavia a exortação de Paulo a Timóteo, "Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça, e incorra na condenação do diabo”, (1 Tm 3.6) , nos permite concluir que foi o pecado do orgulho, de desejar ser como Deus em poder e autoridade, a causa da queda angelical e que os líderes de Igreja não devem ir por este caminho. E esta ideia parece achar corroboração em (Jd 6) , onde se diz que os que caíram “não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio”. Não estavam contentes com a sua parte, com o governo e poder que lhes fora confiado.

3 – O Pecado na Raça Humana

 

Com respeito à origem do pecado na história da humanidade, a Bíblia ensina que ele teve início com a transgressão de Adão no paraíso por meio de um ato perfeitamente voluntário da parte do homem.

O tentador veio colocando-se em oposição a Deus, argumentando que o homem poderia tornar-se semelhante a Deus. E Adão utilizando-se de seu livre arbítrio (autodeterminação) se rendeu à tentação e cometeu o primeiro pecado, comendo do fruto proibido.

O homem em Adão era uma espécie de matriz, pelo qual reproduziu suas cópias em imperfeição; trazendo consigo corrupção moral permanente que, dada a solidariedade da raça humana, teria efeito, não somente sobre Adão, mas também sobre todos os seus descendentes.

E nesse sentido o pecado de Adão é o pecado de todos. É o que Paulo ensina em Rm 5:12:

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” .

 

A Queda envolveu mudanças radicais nas áreas que definem o ser humano e sua cosmovisão: conhecimento, existência, ação e propósito.

A partir daí, Deus chama a todos os homens à condição de pecadores culpados em Adão. É o que Paulo quer dizer quando afirma: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3:23) e ao citar o confronto interno do Homem de realizar a vontade de Deus ou sujeitar-se a sua natureza pecadora, dizendo "O bem que quero este não faço, o mal que detesto esse cometo [...] Miserável homem que sou" (Rm 7:19-24).

4 – Resultados do Primeiro Pecado

4.1 – A Depravação Total da Natureza

 

Depravação significa a corrupção moral da natureza humana, pois o homem é considerado um ser moral, ou seja, responsável pelos seus atos diante de Deus. “Assim, pois, cada um de nós prestará contas de si mesmo diante de Deus”. (Rm 14:12/NAA)

O contágio do seu pecado espalhou-se imediatamente pelo homem todo, não ficando sem ser tocada nenhuma parte da sua natureza, mas contaminando todos os poderes e faculdades do corpo e da alma. Essa completa corrupção do homem é ensinada claramente na Escritura

“O Senhor viu que a maldade das pessoas havia se multiplicado na terra e que todo desígnio do coração delas era continuamente mau”. (Gn 6:5/ NAA)

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim, mas não o realizá-lo”. (Rm 7:18/NAA)

 

4.2 – Perda da Comunhão com Deus

 

Imediatamente deu-se a perda da comunhão com Deus, pois o pecado rompe o relacionamento que o homem tinha com seu criador tirando toda liberdade de convivência um com o outro.  E o resultado foi uma condição de morte espiritual, Ef 2:1; 5; 12; 4:18. Por isso, surgem as angústias, depressões e falta de propósito, perguntando-se "Quem eu sou"?

Ele lhes deu vida, quando vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, e estando nós mortos em nossas transgressões, nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça vocês são salvos — Naquele tempo vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Tendo o seu entendimento obscurecido, separados da vida que Deus concede, por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração.

4.3 – A Morte

 

A morte está intimamente relacionada ao primeiro pecado do homem. O pecado que ocorre quando Adão infringe a ordem de Deus, e não quando Eva alimenta-se do fruto proibido, pois a ordem foi dada diretamente a Adão. A penalidade assim proposta foi executada e a morte em sua tríplice forma lhes foi imposta.

·         Morte Espiritual: Não significa extinção ou aniquilação, mas separação do homem em relação a Deus e as coisas espirituais, o qual veio sobre eles no momento em que pecaram.

·         Morte Física: começou imediatamente o seu processo de desintegração e a eventual separação da alma e espírito do corpo; bem como, redundou também na necessária mudança de resistência, fazendo-o envelhecer. O homem foi expulso do paraíso, porque este representava o lugar da comunhão com Deus, era símbolo da vida mais completa e de uma bem-aventurança maior reservada para ele, se continuasse firme. Foi-lhe vedada a árvore da vida, porque esta era o símbolo da vida prometida na aliança das obras.

·         Morte Eterna: Havendo pecado, ele foi condenado a retornar ao pó do qual fora tomado, Gn 3.19. Diz-nos Paulo que por um homem a morte entrou no mundo e passou a todos os homens, Rm 5:12, e que o salário do pecado é a morte, Rm 6:23. A morte eterna nos leva a uma condição, revelando que ainda estamos em um estado de consciência, reconhecendo que possuíamos o poder de escolha entre o Céu e a danação eterna. Omitir-se de escolher o Céu, automaticamente, o faz escolher a danação eterna.

4.4 – Consciência do Erro

 

Esta mudança da condição real do homem refletiu-se também em sua consciência. Houve, primeiramente, uma consciência da corrupção, revelando-se no sentido de vergonha, e no esforço que os nossos primeiros pais fizeram para cobrir a sua nudez. E depois houve uma consciência de culpa, que achou expressão numa consciência acusadora e no temor de Deus que isso inspirou.

Não há ontem tão pecador, que o hoje no amor de Deus não transforme num amanhã de santidade e de vitórias.

 

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