Aula 09 - O Que a Bíblia diz sobre Ordenanças Bíblicas? - Tudo o que está na Bíblia é “Bíblico”?
“Deus fazia milagres maravilhosos por meio das mãos de Paulo, de tal maneira, que até lenços e aventais que Paulo usava eram levados e colocados sobre os doentes. Estes eram curados de todas as suas enfermidades, assim como espíritos malignos eram expelidos deles”. (At 19:11-12)
1 - Introdução
Nos cultos de muitas igrejas de libertação, objetos variados são empregados como canais de bênção. Eles são ungidos nos cultos com o objetivo de passarem ao fiel algum tipo de benefício. Os mais comuns são a água fluidificada (colocada sobre o rádio ou TV durante a oração do "homem de Deus"), a rosa ungida, ramos de arruda, sal grosso, óleo, água, vinho, pedrinhas trazidos da "terra santa" (Israel), fitinhas, pulseiras e lenços.
Embora os líderes dessas igrejas insistam que esses objetos abençoados funcionam apenas como apoio para a fé dos crentes, ao fim, acabam sendo usado como talismãs, superstições e objetos ritualísticos que serão usados no pós o culto.
· A água pode ser bebida em casa, após a oração de consagração.
· O "cajado de Moisés" deve ser usado para bater naquilo que o crente gostaria de ter (um carro novo, por exemplo).
· Lenços ungidos devem ser carregados junto ao corpo por determinado tempo, geralmente durante o tempo de uma corrente de oração, e por aí vai...
Porém, saltam aos olhos de quem conhece as práticas religiosas populares, que o uso de objetos ungidos pelas igrejas de libertação é bastante parecido as rezas de objetos no baixo espiritismo, artes pagãs e no ocultismo em geral. Entretanto, essas igrejas argumentam que a prática tem base Bíblica.
A passagem bíblica mais citada é de Atos 19:12 citado acima, onde relata o uso dos aventais e lenços de Paulo para expulsar demônios em Éfeso. Entretanto, esse acontecimento é o único do gênero que temos registrado no Novo Testamento, e fez parte dos "milagres extraordinários" que o Senhor realizou em Éfeso pelas mãos de Paulo, e devemos interpretar essa passagem da mesma forma como interpretamos os relatos do Antigo Testamento sobre o cajado de Moisés (Ex 8:5,16) e o manto de Elias (2 Re 2:8,14).
Esses objetos foram veículos materiais do poder miraculoso desses homens. O propósito das narrativas acerca do poder que havia neles era mostrar o extraordinário poder de Deus nas vidas dos seus possuidores, comprovando que a sua mensagem vinha realmente de Deus.
O ponto é que esse poder era tão grande que até as coisas com as quais Moisés e Elias tinham contato diário se tornavam canais através dos quais ele era transmitido.
Além dessas ocorrências no Antigo Testamento mencionadas acima, outros eventos são citados como justificativa para o uso de objetos como veículos do poder divino.
· Moisés fez uma serpente de bronze (Nm 21.9).
· Eliseu usou um prato novo com sal para miraculosamente sanar as águas de Jericó (2 Rs 2.19-22), um pouco de farinha para purificar uma comida envenenada (2 Rs 4.38-41), um pau para fazer flutuar um machado que caiu no rio (2 Rs 6.1-7). Sob seu comando, as águas do Jordão serviram para curar a lepra de Naamã (2 Rs 5.1-14). Seu bordão parece que era usado para realizar milagres (2 Rs 4.29) e seus ossos ressuscitaram um morto (2 Rs 13.20-21).
· O profeta Isaías usou uma pasta de figos para curar Ezequias (2 Rs 20.7).
Alguns eventos narrados no Novo Testamento são também citados como prova.
· As vestes de Jesus tinham poder curador. Não somente a mulher com um fluxo de sangue foi curada ao tocá-las (Lc 8.43-46), mas muitas outras pessoas doentes (Mt 14.36; Mc 6.56; cf. Lc 6.19).
· Em pelo menos duas ocasiões, Jesus usou saliva para curar cegos (Mc 8.22-26; Jo 9.6-7), e em outra, para curar um mudo (Mc 7.33).
· Aparentemente, a sombra de Pedro, após o Pentecostes em Jerusalém, acabava por curar a quem atingisse (At 5.15).
No entanto devemos entender qual o objetivo dessas narrativas, pois em todas elas, o conceito é sempre o mesmo - Jesus e os apóstolos eram tão cheios do poder de Deus que as coisas com as quais tinham contato íntimo se tornavam como que extensão deles, para curar e abençoar as pessoas.
O objetivo é idêntico: enfatizar a enormidade do poder de Deus em suas vidas, e assim, atestar que a mensagem pregada por eles, bem como pelos profetas do Antigo Testamento, vinha de Deus.
2 - Conclusão
A diferença entre estar na bíblia e ser uma ordenança bíblica está no contexto das escrituras e a respeito do que aquilo de fato está falando.
No Antigo Testamento as ordenanças eram os Dez Mandamentos, do qual todo homem era passivo de punição caso quebrasse. Todo o restante era orientação e explicação do decálogo.
No Novo Testamento temos o Ide (Mc 16:15) que engloba a pregação do evangelho a toda criatura, o discipulado e o batismo; a Santa Ceia (Mt 26:26-30; Mc 14:22-26; Lc 22:14-23) como memorial da sua morte e ressurreição; amar uns aos outros como Ele nos amou (Jo 13:34) e perdoar sempre (Mt 18:15-20).
Jesus disse que aquele que faz aquilo que Ele nos manda torna-se Seu amigo (Jo 15:14). E também:
Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizeis: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer. (Lucas 17:10)
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (Jo 14:21)
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lo também vós, porque esta é a lei e os profetas. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura se colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente. (Mateus 7:12-24)
Comentários
Postar um comentário