Aula 08 - O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE SALVAÇÃO?
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”. (Efésios 2.8-9)
1 - Introdução
A salvação não é por obras, mas pela graça, mas existe uma coisa chamada “galardão”.
Os galardões serão como medalhas de honra ao mérito (Ap 22:12).
A salvação é igual para todos, não existe ninguém mais salvo ou menos salvo que o outro. Contudo, o galardão é a recompensa que cada um receberá na eternidade de acordo com as suas obras nesta terra. Em Mateus 16.24-27 está escrito: Então Jesus declarou aos seus discípulos: “Se alguém deseja seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me acompanhe”. Porquanto quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, encontrará a verdadeira vida. Muitas pessoas não entendem o que é a cruz citada neste texto. Acreditam que a cruz são as dificuldades que enfrentam na vida, mas saiba a cruz é o lugar que matamos a nossa carne e decidimos viver a vontade de Deus pra nós, por isso cada um deve aceita-la e leva-la até o fim.
Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. (Rm 10:9)
2 – Predestinados a Salvação
Deus determinou antecipadamente quem vai ser salvo e quem se perderá.
O que a Bíblia diz sobre isso?
A Bíblia pode ter base para tudo, até para heresias se usada para tal.
Entendê-la, deve ser o nosso maior objetivo a fim de não nos deixar enganar pelas falsas doutrinas que tem surgido nesta geração.
Não podemos confundir: Deus é onisciente, mas não interfere na nossa liberdade em escolhê-Lo.
Desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade revelo as coisas que ainda não sucederam. Eu digo: o Meu conselho permanecerá em pé, e farei toda a Minha vontade. (Is 46:10). Deus é soberano.
Aquele que Me rejeita e não acolhe as Minhas palavras tem quem o julgue; a Palavra que proclamei essa o julgará no último dia. Pois Eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que Me enviou, esse Me deu ordens sobre o que Eu deveria dizer e o que proclamar. (Jo 12:48-49). Mas nós temos liberdade de escolha.
Quando a Bíblia diz: E, em Seu amor, nos predestinou para sermos adotados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo, segundo a benevolência da Sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos outorgou gratuitamente no Amado. Nele, temos a redenção, o perdão dos nossos pecados pelo seu sangue, segundo as riquezas da graça de Deus, e que Ele fez derramar sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da Sua vontade, de acordo com o Seu bom propósito que Ele estabeleceu em Cristo... (Ef 1:5-9). Aponta para o propósito de Deus para a humanidade. Pois Ele deseja que todos O aceitem, mas não impõe Sua vontade a nós.
A Bíblia deixa claro que o mesmo Deus que “faz nascer o sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5:45) também oferece a salvação a todos igualmente. Ele não apenas ordena que o evangelho seja pregado “a toda criatura” (Mc 16:75), mas também convida: “Ah! Todos vós os que tendes sede, vinde às águas…” (Is 55:1) e “Vinde a Mim, todos…” (Mt 11:28). O mesmo conceito da imparcialidade divina é apresentado pelo apóstolo Pedro em sua declaração: “Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que O teme e faz o que é justo Lhe é aceitável” (At 10:34-35).
Na verdade, Deus sabe pela Sua onisciência quem será salvo, mas não determinou quem o será. Ele não escolheu alguns para salvação e outros para perdição. Porquanto, todos nós deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba o que merece em retribuição pelas obras praticadas por meio do corpo, quer seja o bem quer seja o mal. (2 Co 5:10)
3 – Estamos ou somos salvos?
Na doutrina da salvação existem três passos: a justificação, a santificação e a glorificação.
A nossa salvação é: um fato consumado, um processo e uma promessa.
Podemos dizer que: já fomos salvos, estamos sendo salvos e ainda seremos salvos.
A justificação acontece quando cremos em Cristo, nos arrependemos e O aceitamos. A santificação é o processo que nos faz semelhantes a Cristo, na medida em que progressivamente estamos sendo transformados à imagem de Cristo. Mas a glorificação só acontecerá na segunda vinda de Cristo, quando seremos transformados e receberemos um corpo incorruptível, ou seja, livre de corrupção, livre do pecado, para reinarmos com Jesus para todo o sempre.
Na verdade, o significado dos verbos já aponta essa diferença:
· ESTAR - significa ter ou apresentar certa condição física, emocional ou material não permanente.
· SER - significa ter identidade, característica ou propriedade natural, que não se pode mudar ou ser alterada.
Existem algumas linhas que explicam a salvação de modo diferente:
· Os ARMINIANOS (1608) acreditam que Deus enviou Jesus para a salvação de todos, mas somente aquele que O aceitar será salvo (Rm 10:9). Que temos liberdade para mudar toda e qualquer decisão de Deus sobre nós através das nossas escolhas (Sl 33:10-11; Jó 42:2; Pv 16:1-Que da mesma forma que aceitamos a salvação pela fé, também podemos perdê-la caso essa fé seja negada (Jo 15:1-2).
· Os CALVINISTAS (1536) acreditam que Deus é soberano em tudo e que por isso elegeu alguns para salvação e outros para perdição (Pv 16:4). Logo, aqueles que foram eleitos para salvação não podem perdê-la (Rm 10:9-10; Hb 7:25)
· Já os UNIVERSALISTAS (1961) pregam um Deus tão amoroso que será capaz de levar todos para o céu, e perdoar até aqueles que não se arrependeram (Jo 1:29). Nessa doutrina, creem que todos receberão a misericórdia de Deus, até o diabo e seus anjos (1 Pe 3:18-20).
4 - Conclusão
O “Deus calvinista” tem a capacidade e o poder para salvar toda humanidade, mas se recusa a fazê-lo – revela-se um Deus separatista. O “Deus arminiano” gostaria de salvar toda a humanidade, mas não pode porque deixou isso nas mãos dos homens – revela-se um Deus fraco. E o “Deus universalista” tem o poder e o desejo de salvar a todos e vai fazê-lo, porque ninguém pode o impedir, nem tomar decisão – revela um Deus sarcástico.
Alegar que todos os seres humanos já nasceram individualmente predestinados para a salvação ou para a perdição implica na rejeição das declarações apostólicas de que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos” (1 Tm 2:4) e “que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3:9).
Embora a salvação seja oferecida gratuitamente a todos indistintamente, somente aqueles que a aceitam pela fé serão salvos. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). A perdição dos ímpios não é, portanto, o resultado de um decreto divino arbitrário, mas sim a consequência natural de terem rejeitado individualmente a oferta de salvação.
Embora Deus haja predestinado à salvação todos os que voluntariamente aceitam a Cristo (Ef 1:3-14), Ele não predestinou ninguém para a perdição. Que compete ao próprio homem (e não a Deus) escolher o seu destino é óbvio nas seguintes palavras de Josué 24:15: “Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”
O Novo Testamento esclarece que mesmo os eleitos do Senhor podem perder a salvação ao se afastarem de Cristo. Pois é impossível trazer de volta ao arrependimento àqueles que já foram iluminados, que já experimentaram as dádivas celestiais e se tornaram participantes do Espírito Santo, que provaram a bondade da palavra de Deus e os poderes do mundo por vir, e que depois se desviaram. Sim, é impossível trazê-los de volta ao arrependimento, pois, ao rejeitar o Filho de Deus, eles voltaram a pregá-lo na cruz, expondo-o à vergonha pública. (Hb 6:4-6 / NVT).
Por essa razão, o apóstolo Paulo declarou: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9:27). E é pelo mesmo motivo que Cristo disse que somente os que perseverarem até o fim será salvos (Mt 10:22; 24:13; Mc 13:13).
Portanto, embora o homem seja completamente incapaz de salvar-se a si mesmo, ele pode escolher e permitir que Deus o salve ou não.
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