Aula 02 – O que a Bíblia diz sobre? A Maldição de Caim e Canaã
“E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse”.
(Gn 4:15)
1 – Introdução
Infelizmente
a falta de conhecimento faz com que mentiras sejam aceitas como verdades.
Isaías
4:6a diz assim: “Meu povo foi destruído por falta de
conhecimento”.
Quantas
famílias já foram devastadas por profecias? Quantos empregos abandonados por
uma má interpretação das escrituras? Quantos crentes fervorosos se desviaram
por feriadas causadas pela igreja?
E
tudo isso poderia ter sido evitado se as pessoas lessem a Bíblia e tivessem o
mínimo esclarecimento a respeito das verdades contidas nos textos bíblicos.
Uma
das falácias pregadas em púlpitos é a respeito da maldição de Caim.
Você
já ouviu falar?
Saiba que esse texto mal interpretado foi capaz de dividir o mundo em raças e de nos envergonhar com histórias de perseguição, escravidão e morte.
2 – Entendendo o Contexto
A
palavra raça é científico e biologicamente errado para definir humanos, já que
nós somos uma única raça, a humana.
Mas
a subdivisão de raças em: branca, negra ou amarela, ou negróides, caucasianos e
mongoloides, é bem nova e surgiu há poucos séculos numa investida do próprio
homem em se classificar hierarquicamente.
Primeiro,
é preciso deixar bem claro que a maioria dos cientistas rejeita o termo “raça”
para se referir a seres humanos, pois são insignificantes as variações
genéticas entre um europeu, um africano e um asiático.
Mas
também é verdade que entre esse mesmo europeu, africano e asiático existem
diferenças físicas que qualquer um pode enxergar e essa diversidade apareceu ao
longo do tempo, à medida que o homem precisou se adaptar na marra aos diversos
ambientes e regiões que foi ocupando no planeta.
Ao
chegar e se estabelecer num local mais frio e pouco ensolarado, por exemplo,
uma pele mais clara ajudava a aproveitar melhor os raros raios solares –
importantes, entre outras coisas, para o corpo produzir vitamina D. Dessa
forma, toda essa população clareava sua pele de geração em geração, por meio da
seleção natural.
O
antropólogo americano Eugene Harris, pesquisador visitante do Instituto de
Biociências da Universidade de São Paulo (USP), destaca que o isolamento foi um
elemento importante nesse processo de diferenciação. Um grupo que não mantinha
contato com outros arranjava soluções próprias para enfrentar os desafios do
ambiente em que vivia. Dessa adaptação forçada nas andanças pela Terra,
surgiram o ser humano tradicionalmente é dividido: negróides,
caucasianos e mongolóides. Apesar das diferenças físicas, todos eles
tiveram os mesmos ancestrais, que, provavelmente, viviam na África há no mínimo
150 mil anos.
De lá, o homem começou a invadir
outras regiões e continentes. Primeiro, o Oriente Médio. Depois, a Ásia, a
Europa e a Oceania. Por último, chegou aqui na América, quando a variedade de
tipos humanos já era um fato. O livro de Gênesis nos conta exatamente a mesma
história, e Gênesis 10 mostra a expansão dos povos em direção aos continentes a
partir da família de Noé tempos depois do dilúvio, obedecendo a linhagem:
•
Sem
- Oriente Médio
•
Cam
– África e Ásia
•
Jafé
– Europa
O
que pode nos ajudar a entender essa classificação étnica - negróides,
caucasianos e mongoloides
3 – A Origem do Termo “Raça Negra”
Na
idade média as pessoas de pele mais morena passaram a ser chamadas de mouros,
africanos e sarracenos. Isso se deu após uma batalha travada entre a igreja
católica e os mulçumanos que durou oito séculos pela posse de território no
campo religioso.
O
Islamismo ou Islã, foi fundado pelo mercador árabe Maomé (Muhammad, 570-632 d.C)
no início do VII d.C. Essa que é a mais recente das grandes religiões mundiais
sofreu influências tanto do judaísmo quanto do cristianismo, mas ao mesmo tempo,
opôs-se firmemente a ambos, alegando ser a revelação final de Deus (Allah) para
a humanidade.
Movidos
por um profundo zelo pela nova fé, os exércitos muçulmanos conquistaram
sucessivamente a península da Arábia, a Síria, a Palestina, o Império Persa, o
Egito e todo o norte da África – países de pele escura.
Nesse
processo, o cristianismo foi enfraquecido ou aniquilado em muitas regiões nas
quais havia sido extremamente próspero nos primeiros séculos. Lugares como
Antioquia, Jerusalém, Alexandria e Cartago, onde viveram os pais da Igreja
Orígenes, Cipriano, Tertuliano e Agostinho, foram permanentemente perdidos
pelos cristãos.
O
avanço islâmico teve profundas repercussões para o cristianismo, a Igreja
Oriental ou Bizantina foi seriamente enfraquecida, tendo perdido algumas de
suas regiões mais prósperas. A Igreja ocidental ou romana voltou-se mais para o
norte da Europa. Com isso, o cristianismo tornou-se mais europeu e menos
asiático e africano.
Não
querendo perder também a Europa, a igreja se resguardou criando uma doutrina
que é encontrada também na Reforma Protestante, nos Anabatistas, Mórmons e
outros, onde ensinaram que:
• A pobreza era um sinal de pecado;
• Deus ouvia apenas a igreja e os
nobres;
• Céu e inferno eram algo
pré-estabelecido por Deus e sem escolha humana;
• Os mouros (pessoas de pele escura
proveniente de países mulçumanos) eram filhos da perdição, logo, não mereciam
clemência, pois eram destinados ao inferno.
Com
isso, a igreja, agora europeia, incitou seus reis a escravizar toda as pessoas
que fossem descendentes destes países dizendo que só assim poderiam, quem sabe,
alcançar o perdão de Deus e ter a salvação pós-morte.
Essa doutrina é encontrada nos calvinistas e até mesmo nos
escritos de Martinho Lutero.
Daí,
toda pessoa de pele escura, passou a ser reconhecida como dessa ala – Raça
Negra, ou aquela raça de negros – aquela gente que não possui luz.
Para
embasar essa doutrina, a igreja fez uma interpretação da história de Cam (Gn 9), dizendo que a pele negra seria essa maldição,
e que toda a sua descendência deveria sofrer por ser pecadora.
Daí
o pensamento que negro não presta e que não possui alma.
Pensamento
que infelizmente perdura até hoje em algumas igrejas evangélicas, que sem
entender a bíblia, se deixaram convencer por falsas doutrinas criadas pelo
homem a fim de conquistar poder, e permitem que estes pensamentos deturpem a
verdade do Evangelho. Por isso existe divisão entre negros e brancos, ainda em
algumas igrejas nos EUA.
Mais tarde, no início do século XIX, Joseph Smith Jr. funda a
Igreja Mórmon, que aprofundou essa doutrina dizendo que Lúcifer e Jesus eram
irmãos, mas porque Lúcifer se rebelou por ciúme de Jesus, foi expulso do céu e
pra se vingar, teve relação sexual com mulheres na finalidade de criar uma
descendência para ele (Gn 6), que seria a descendência de Caim. Como a Bíblia
diz que Caim foi amaldiçoado e foi habitar com sua família na “África”,
entendem que negros são filhos de Lúcifer e brancos de Deus.
Como podemos ver, o próprio homem no intuito de ganhar poder usou a bíblia para formular suas doutrinas e criar divisão entre povos, religiões e pessoas, formando assim a guerra racial. Tudo isso você encontra registrado na história.
4
– Então qual era a Marca de Caim
Infelizmente
as pessoas não só interpretam erradas as escrituras como colocam palavras onde
não tem.
Deus
não amaldiçoou Caim, pelo contrário, Deus colocou
nele um sinal, ou seja, de alguma forma ele foi protegido por Deus para que ninguém o matasse ao encontra-lo,
ninguém tentaria se vingar pelo sangue de Abel. Deus deu a Caim uma proteção
divina, tal qual diz em Apocalipse 7:1-8 que
fará aos seus escolhidos.
Em Gn 4:15 o texto em Hebraico diz, “E colocou o Senhor em Caim um sinal“. Há muita especulação sobre o que seria esse sinal,
mas o que podemos dizer é que geralmente na Bíblia, “um sinal“ significa algo
que é miraculoso, que aponta para o futuro. A marca de Caim não era algo
físico, não era a cor da pele, não era algo no DNA, era o pronunciamento de
Deus a respeito da sua descendência, dizendo que ninguém o mataria e que ele
frutificaria na terra, deixaria uma geração.
O fato é que Deus poderia ter acabado com Caim, ali mesmo, pois ele era merecedor de um por tentar enganar o Criador, o dono da vida. Mas a misericórdia do Eterno foi muito grande.
5 – Conclusão
É
extremamente importante lermos a Bíblia, texto e contexto, e procurarmos
entender o que ela está falando. Quando conhecemos as verdades Bíblicas, o
inimigo encontra resistência em nossa mente para nos enganar. Por isso Romanos
12:2 diz: “E não
vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa
mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
A
Transformação da nossa mente só é completa quando encontramos a vontade de
Deus, quando entendemos os Seus atos e aceitamos Seus propósitos.
Deus
nos fez pessoas diferentes, física e intelectualmente, com um propósito, para
cumprirmos objetivos que foram pré-estabelecidos por Ele antes da criação do
mundo, como diz no Salmo 139:16.
Que
possamos nos aceitar como somos, e recusar toda mensagem vitimista que o mundo
tem pregado, tendo a certeza que “Deus nos escolheu Nele
antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua
presença.” (Ef 1:4) e tudo aquilo que vier falando o contrario, tem o
intuito de matar a sua autoestima, de promover sua queda e de fazer com que
você rejeite a Deus. João 8:44 diz: “...o Diabo foi homicida desde o princípio e não se apegou
à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua,
pois é mentiroso e pai da mentira”.
“E que a paz de Deus, que
excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e os vossos pensamentos
em Cristo Jesus”. (Filipenses 4:7)

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