Aula 12 - O Fim da História
“Melhor é o fim das coisas do que o seu
princípio”. (Ec 7:8 – NAA)
1 – Introdução
Historicamente há um
clima negativo em torno do livro Apocalipse. Por conta do conteúdo hermético,
recheado de mensagens simbólicas, pois foi construído um imaginário em torno dele
como um livro de previsões de um futuro terrível. Tanto que o termo
“apocalipse” tornou-se sinônimo de ruína, aniquilamento, desgraça e fim do
mundo.
A ideia de que o
Apocalipse é uma futurologia destrutiva resulta do tipo de leitura da Bíblia
classificada como literalista ou fundamentalista.
Há, porém, outra forma
de ler o Apocalipse, com um olhar mais positivo e esperançoso do futuro. Esta
leitura brota dos estudos que buscam entender como, por que e para que os
textos bíblicos foram escritos, e lança mão de recursos históricos para sua
interpretação.
Assim se pode aprender
que o Apocalipse é uma carta escrita pelo apóstolo João que estava preso pelo
Império Romano na ilha Patmos, um presídio do Império para aqueles considerados
perigosos e presos políticos, como o era considerado João e outros cristãos que
se opunham às suas ações.
A carta, tempos depois
intitulada Apocalipse (do grego “Revelação”),
escrita cerca de 90 anos depois de Jesus, foi dirigida a grupos cristãos
reunidos em comunidades que sofriam perseguição. Por isso é uma carta em forma
enigmática, para que só os destinatários compreendessem, driblando a censura.
O Império Romano
propagava que o imperador era o Senhor do Mundo, como um Deus e os cristãos
pregavam o contrário: “Jesus é o Senhor
dos Senhores” .
E não era uma disputa
só de palavras: todos deviam prestar culto ao imperador. Assim, apoiado na
religião judaica, o governante montou todo um sistema que controlava a vida do
povo, inclusive a compra e a venda do que era produzido na sociedade agrícola e
que explorava os pobres para manter o privilégio de poucos. Daí tanta
perseguição. Mas em alguns casos havia adesão de quem preferia se resguardar e
se beneficiar deste sistema, apesar de “cristão” negando a sua fé em Jesus.
As cartas às igrejas são
claras nesses aspectos.
João desejava então, animar
as comunidades para que elas não desistissem e continuassem fiéis aos
princípios da fé cristã e também para chamar a atenção daqueles que traíam
estas bases para apoiar o Império.
Todas as visões de João
relatadas no livro diziam respeito à situação de perseguição em que se
encontravam as igrejas naquele momento.
Muitas imagens e
símbolos eram extraídos dos registros de fé do passado (o
que conhecemos como Antigo Testamento da Bíblia). Isso ajudava os
perseguidos a identificar nas visões a força que vinha da história. A memória
servia para dar coragem. Por isso Deus era apresentado como o Alfa e o Ômega (a primeira e a última letra do alfabeto grego),
ou seja, ele seria o mesmo de ontem, de hoje e o de amanhã.
Não é por acaso que uma
das expressões que mais se repetem no Apocalipse é: “Não temas”.
No decorrer da história, este livro foi muito usado para trazer ânimo e força àqueles que passaram pela mesma situação da igreja primitiva, pois apesar de ser um livro escrito para as sete igrejas da Ásia, sua revelação é atemporal, apontando para o fim da maldade com a vitória de Cristo.
2 – Uma Análise Bíblica de Capa a Capa
O livro do Apocalipse é
o apogeu da revelação da verdade divina ao homem, o remate do edifício das
Escrituras, da qual, o Gênesis é a pedra fundamental.
A Bíblia não estaria completa sem estes livros. Se a omissão de Gênesis nos teria deixado na ignorância, quanto ao princípio de muitas coisas, a falta do Apocalipse nos teria privado de muitos ensinos acerca da consumação de todas as coisas. Entre “Gênesis” e “Apocalipse”, pode-se ver uma correspondência notável, a qual é a seguinte:
|
GÊNESIS |
APOCALIPSE |
|
O
paraíso perdido |
O
paraíso recuperado |
|
A
primeira cidade, um fracasso |
A
cidade dos redimidos |
|
O
princípio da maldição |
Não
haverá mais maldição |
|
Matrimônio
do primeiro Adão |
Matrimônio
do segundo Adão |
|
As
primeiras lágrimas |
Enxugadas
as lágrimas |
|
A
entrada de Satanás |
O
julgamento de Satanás |
|
A
criação antiga |
A
nova criação |
|
A
comunhão rompida |
A
comunhão restaurada |
O livro do Apocalipse é a consumação das profecias do Velho Testamento. Está repleto de símbolos e expressões tomadas emprestadas dos escritos daqueles profetas que foram favorecidos por revelações gloriosas concernentes ao fim do tempo — Isaías, Ezequiel, Daniel e Zacarias. É o grande “Amém” e o alegre “aleluia” pelo cumprimento das predições dos profetas — Antes de tudo, este livro é uma revelação — a manifestação visível — do Senhor Jesus Cristo. No seu Evangelho, João descreveu a Sua vida e o ministério terrestre. Antes de escrever o livro do Apocalipse, o apóstolo é arrebatado ao trono de Deus, onde vê Jesus vestido da glória que Ele tem com o Pai desde a fundação do mundo; onde vê Aquele que foi julgado pelo mundo, voltando como o seu juiz; onde vê Aquele, que foi rejeitado pelos homens, tomando posse de todos os reinos do mundo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores.
3 - Conclusão
A intenção de Apocalipse não foi descrever com exatidão a ordem cronológica dos acontecimentos futuros, mas descrever as visões e o testemunho de Cristo revelados para a Igreja (1 Jo 5:11; Jo 3:15; Rm 8:1; 1 Pe 4:12-19)
Através desse registro,
os crentes desde o primeiro século têm sido confortados com a expectativa da
vitória e da vida eterna com Deus. As dores dos filhos serão recompensadas na
intervenção final e definitiva de Cristo contra os Seus inimigos, no Seu reino
eterno. Cristo voltará em poder e glória para buscar os Seus remidos, cumprir
seus juízos e estabelecer o Seu Reino eternamente.
A soberania de Deus é
realçada aqui no anúncio prévio da derrota do Maligno, do pecado e do
sofrimento. Não se trata de um embate, cujo final é desconhecido. A revelação
de Jesus antecipa-nos que o Cordeiro de Deus é vitorioso eternamente e dará fim
a todas as forças espirituais da maldade.
Além desses pontos, o Apocalipse é um livro que comunica esperança para o povo de Deus. Ele mostra-nos que aconteça o que acontecer, os filhos de Deus estarão seguros no Senhor e terão, pela graça de Jesus Cristo, a vida eterna (Jo 16:7-15).
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