Aula 10 - Os Atos dos Apóstolos

“Quando ouviram isso, os seus corações ficaram aflitos, e eles perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: "Irmãos, que faremos?...Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas”. (Atos 2:37,41/NVI)

1 - Introdução

No livro de Atos nós vemos a igreja surgir, nascer.

Dentro da tradição judaica, quando você tem 12 testemunhas é uma referencia a validar uma verdade, ou validar um acontecimento, e na narrativa de Atos existe uma força jurídica de validação, pois estes homens viram o Cristo encarnado, viram este Cristo ser morto e testemunharam que este Cristo ressuscitou.

É importante observarmos que essa comunidade é essencialmente judaica. Portanto, essa primeira igreja que nasce, é composta de cristãos judeus, mostrando as características de judeus convertidos.

No entanto, a partir do cap 6:9 encontramos uma igreja que já não é mais essencialmente judaica, pois existem também os gentios quando começam a vir elementos externos não deixando a força de a tradição judaica ser tão determinante.

2 - A Igreja Perseguida

Logo no início da Igreja podemos observar uma marca de perseguição. Temos a Igreja de Cristo sofrendo alguns tipos diferentes de perseguição, por volta de 30 d.C, de forma crescente.

·         Perseguição Diplomática: Nesse período de perseguição diplomática podemos perceber certa tolerância, ainda que em estado de vigia. A comunidade cristã é aceita, mas tem sobre ela uma atenção maior. Portanto, ainda que haja essa aceitação, existe também uma tentativa de controle.

·         Perseguição proibitiva: A perseguição diplomática dá lugar a uma perseguição mais forte, que é a perseguição proibitiva. Aqui, os apóstolos são presos e proibidos de pregar o Evangelho; começam a ser coagidos e intimados a se calar.

·         Perseguição popular: Este é o terceiro nível de perseguição, que é orquestrada pelos fariseus. Estes passam a identificar os apóstolos como hereges e começam a perseguir essa comunidade que está nascendo.

Essa perseguição começou em João Batista e partiu diretamente dos sacerdotes que incitaram Herodes que passou orquestrar as mortes. De alguma forma, a igreja passou a ser perseguida por sua própria religião, ou seja, pelos religiosos do seu povo. O que aconteceu por quase 300 anos, terminando com o Édito de Milão, em 313 d.C.

3 - A Organização da Igreja

É importante observarmos um aspecto importante da Igreja de Atos, que é a forma como sua liderança era organizada, surgindo os diáconos, que se dividiam em diáconos da Palavra e diáconos da mesa.

A palavra diácono significa “aquele que serve”. A diaconia da Palavra preparava mestres e a da mesa administradores. Com isso, conseguiam pregar o evangelho e suprir as necessidades daqueles que se convertiam e passavam também a serem perseguidos.

4 - Pentecostes

Em Atos encontraremos uma passagem muito marcante, que pelo contrário do que muitos pensam, era uma festa judaica comum desde a época de Moisés – o Pentecostes, também chamada de festa da colheita (Ex 23:16) e/ou das semanas (Nm 28:25; Dt 34:22), realizado 50 dias após a Páscoa, logo após a colheita de trigo e cevada, quando todo o povo subia a Jerusalém para agradecer a Deus pela boa colheita e ali cultuavam a Deus e lhe oferecia ofertas de gratidão.

Para entender o que aconteceu naquele Pentecostes, é preciso ter em mente que muitos judeus moravam em outras terras e já não falavam mais o hebraico, o próprio Jesus falava aramaico. E quando o Espírito Santo soprou, todos começaram a ouvir e entender os apóstolos como se eles falassem em suas próprias línguas.

Foi o momento exato que Deus quebrou a maldição de Babel e lhes deu entendimento espiritual, não só para entender o que os apóstolos estavam falando, mas também para compreender toda verdade do evangelho.

Este evento de Atos não está ligado ao evento que Paulo fala aos coríntios. As realidades são diferentes.

·         Em Coríntios: O dom de línguas era usado na Igreja, e quem manifestava esse dom estava edificando a si mesmo. Tratava-se de uma linguagem sobrenatural, que precisava ser interpretada (1 Co 14:1-40).

·         Em Atos: Foi um acontecimento evangelístico, quem ouvia era edificado. O dom de línguas era repartido e as pessoas falavam de uma forma que todos entendiam. Tratava-se de uma linguagem humana (guiada pelo Espírito), não precisava de ninguém para interpretar.

Não podemos dizer que o Pentecostes foi o derramar de línguas estranhas, mas o derramar do Espírito que capacitou àqueles discípulos para o que pregar as boas novas de Cristo, e prepará-los para toda perseguição que viria com coragem, unção, sabedoria e o dom de falar e entender as línguas humanas que a eles eram estranhas.

Imagine como um pescador como Pedro, poderia entender e falar outros idiomas e dialetos, sem ter estudado? Somente através do Espírito de Deus. Ele não só fundou a igreja de Antioquia, na Turquia, como foi bispo em Roma por 25 anos.

“Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, Ponto e da província da Ásia,Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua! " (Atos 2:9-11/NVI)

5 - A Conversão de Paulo

Ao contrário do que muitos pensam Deus não mudou o nome de Paulo.

O nome hebreu dado de seus pais a ele era Saulo, mas, como seu pai era um cidadão romano (e, no entanto, Saulo herdou a cidadania romana), Saulo também tinha o nome latino “Paulo”, o costume de dois nomes começou a se tornar comum nessa época.

Como ele nasceu em um ambiente fariseu rigoroso, o nome Saulo era o nome mais adequado para usar. Mas depois de sua conversão, Saulo decidiu usar seu nome latino para anunciar o Evangelho aos gentios e assim começou a ficar conhecido como Paulo.

Outra impressão errada que temos é que assim que Saulo se converte, imediatamente começa a pregar com ousadia o nome de Jesus Cristo em Damasco e em Jerusalém.

No entanto, Gl 1:1-22 nos garante que ele passou 3 anos sendo instruído pelo próprio Jesus na Arábia, e só depois conheceu o apóstolo Pedro, com quem passou 15 dias e conheceu o irmão de Jesus, Tiago.

6 - O Encontro com Barnabé

Quando Lucas escreveu a história da primeira geração da igreja, enfocou principalmente os ministérios de Pedro e Paulo.

Entretanto, além desses dois grandes líderes, há outras pessoas que foram citadas e que também devemos conhecer a fim de termos uma visão mais completa do início da igreja do Cristo vivo e ressurreto.

Uma dessas pessoas foi Barnabé, cujo nome significa “Filho da Consolação”. (Atos 4:36)

Tendo como exemplo o que Jesus fazia, assim também fizeram os apóstolos; mudaram o nome desse discípulo de José, para Barnabé, cujo significado tem a ver com o seu dom espiritual e ministerial.

Observando seu ministério, vemos que ele honrou o significado do seu nome; sempre ajudando e encorajando outras pessoas a fazer aquilo que o Senhor ressurreto havia designado que fizessem.

De certa forma Barnabé foi o responsável pelo início do ministério missionário e maravilhoso de Paulo.

Ele estava na igreja de Antioquia discipulando os recém convertidos. O Espírito Santo operava com poder na igreja e ela experimentara um grande crescimento no número de convertidos. Esse fato levou Barnabé a pensar no rabino convertido, Saulo de Tarso, que tinha o dom de ensino. Ele viajou para Tarso e procurou Paulo até encontrá-lo e o levou para Antioquia onde ele iniciou o seu ministério.

Em Atos 9:27 temos o registro que Barnabé intercedeu a favor desse ex-inimigo da igreja junto aos demais cristãos que viam com desconfiança a vinda de Paulo para Antioquia.

No estudo dos Evangelhos vimos que foi André quem apresentou seu irmão Simão Pedro a Jesus. Se não fosse André, Pedro não teria se tornado apóstolo. 

Da mesma forma, podemos dizer que não teríamos conhecido o ministério de Paulo se não fosse Barnabé.


7 - As Viagens Missionárias

·         Gaza - Filipe pregou a respeito de Cristo e batizou um eunuco etíope a caminho de Gaza (At. 8:26–39).

·         Jope - Pedro recebeu uma visão de que Deus concedera o dom do arrependimento aos gentios (At. 10; 11:5–18). Pedro levantou Tabita dos mortos (At. 9:36–42).

·         Samaria - Filipe ministrou em Samaria (At. 8:5–13), e Pedro e João posteriormente ensinaram aqui (At. 8:14–25). Após terem eles conferido o dom do Espírito Santo, Simão, o mágigo, tentou comprar deles esse dom (At. 8:9–24).

·         Cesareia - Neste local, depois que um anjo ministrou a um centurião chamado Cornélio, Pedro permitiu que ele fosse batizado (At. 10). Aqui, Paulo fez a sua defesa perante Agripa (At. 25–26)

·         Damasco - Jesus apareceu a Saulo (At. 9:1–7). Depois que Ananias restaurou a visão de Saulo, este foi batizado e iniciou o seu ministério (At. 9:10–27).

·         Antioquia (na Síria) - Aqui, os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez (At. 11:26). Ágabo profetizou fome (At. 11:27–28). Grande dissensão surgiu em Antioquia concernente à circuncisão (At. 14:26–28; 15:1–9). Em Antioquia, Paulo iniciou a sua segunda missão, com Silas, Barnabé e Judas Barsabás (At. 15:22, 30, 35).

·         Tarso - Cidade natal de Paulo; ele foi enviado para cá pelos líderes da Igreja para proteger a vida dele (At. 9:29–30).

·         Chipre - Após terem sido perseguidos, alguns dos santos fugiram para esta ilha (At. 11:19). Paulo passou por Chipre em sua primeira viagem missionária (At.13:4–5), como o fizeram posteriormente Barnabé e Marcos (At. 15:39).

·         Pafos - Paulo amaldiçoou aqui um feiticeiro (At. 13:6–11).

·         Derbe - Paulo e Barnabé pregaram o evangelho nesta cidade (At. 14:6–7, 20–21).

·         Listra - Após Paulo ter curado um paralítico, ele e Barnabé foram aclamados como deuses. Paulo foi apedrejado e dado como morto, mas reviveu e continuou a pregar (At. 14:6–21). Lar de Timóteo (At. 16:1–3).

·         Icônio - Em sua primeira missão, Paulo e Barnabé pregaram aqui e foram ameaçados de apedrejamento (At. 13:51–14:7).

·         Antioquia - (região da Pisídia, na Turquia) Em sua primeira viagem, Paulo e Barnabé ensinaram aos judeus que Cristo veio da semente de Davi. Paulo anunciou o evangelho a Israel, e depois aos gentios. Paulo e Barnabé foram perseguidos e expulsos (At. 13:14–50). 

·         Mileto - Enquanto estava aqui, em sua terceira missão, Paulo advertiu os élderes da Igreja de que “lobos cruéis” entrariam no rebanho (At. 20:29–31).

·         Éfeso - Apolo pregou aqui com poder (At. 18:24–28). Paulo, em sua terceira missão, ensinou em Éfeso durante dois anos, tendo convertido muitas pessoas (At. 19:10, 18). Aqui, ele conferiu o dom do Espírito Santo pela imposição das mãos (At. 19:1–7) e realizou muitos milagres, inclusive a expulsão de espíritos malignos (At. 19:8–21). Aqui, os adoradores de Diana provocaram um tumulto contra Paulo (At. 19:22–41). Parte do livro de Apocalipse foi dirigido à Igreja de Éfeso (Apoc. 1:11).

·         Trôade - Enquanto Paulo esteve aqui, em sua segunda viagem missionária, teve a visão de um homem da Macedônia pedindo ajuda (At. 16:9–12). Durante a sua estada aqui, em sua terceira missão, Paulo levantou Êutico dos mortos (At. 20:6–12).

·         Filipos - Paulo, Silas e Timóteo converteram uma mulher chamada Lídia, expulsaram um espírito maligno e foram açoitados (At. 16:11–23). Eles receberam ajuda divina para escapar da prisão (At. 16:23–26).

·         Atenas - Durante sua segunda missão em Atenas, Paulo pregou na Colina de Marte (Areópago) a respeito do “deus desconhecido” (At. 17:22–34).

·         Corinto - Paulo foi para Corinto em sua segunda missão, onde se hospedou com Áquila e Priscila. Ali ele pregou o evangelho e batizou muitas pessoas (At. 18:1–18). De Corinto, Paulo escreveu a sua epístola aos romanos.

·         Tessalônica - Paulo pregou aqui durante a sua segunda viagem missionária. Seu grupo missionário partiu para Bereia, depois que os judeus ameaçaram a sua segurança (At. 17:1–10).

·         Bereia - Paulo, Silas e Timóteo encontraram nobres almas para ensinar durante a segunda viagem missionária de Paulo. Os judeus de Tessalônica os seguiram e perseguiram (At. 17:10–13).

·         Macedônia - Paulo ensinou aqui durante a sua segunda e terceira viagem (At. 16:9–40; 19:21). Paulo elogiou a generosidade dos santos macedônios, que fizeram uma coleta para ele e para os santos pobres de Jerusalém (Rom. 15:26; 2 Cor. 8:1–5; 11:9).

·         Malta - O barco de Paulo naufragou nesta ilha a caminho de Roma (At. 26:32; 27:1, 41–44). Ele escapou ileso após ser picado por uma serpente e curou muitos que estavam enfermos em Malta (At. 28:1–9).

·         Roma Paulo pregou aqui por dois anos enquanto estava em prisão domiciliar (At. 28:16–31). Ele também escreveu epístolas, ou cartas, aos efésios, filipenses e colossenses, e a Timóteo e Filemon, enquanto esteve prisioneiro em Roma. Pedro escreveu a sua primeira epístola da “Babilônia,” que era provavelmente Roma, logo depois das perseguições de Nero aos cristãos em 64 d.C. Acredita-se que Pedro e Paulo tenham sido mortos aqui.

 Apostila da Aula

Power-Point da Aula 

 

 

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