Aula 6 - A Profecia em Tempos de Incredulidade – Profetas Menores
“A glória da segunda casa será maior que da primeira...” (Ag 2:9)
Introdução
As
expressões “Profeta Maior” e “Profeta Menor” foram designadas pelo teólogo
Agostinho de Hipona no século IV d.C. O termo menor refere-se à brevidade do
segundo grupo, e não à sua importância relativa de seu conteúdo. Os hebreus
chamavam esse grupo de livro de “O Livro dos Doze”, e foram agrupados dessa
maneira por Esdras, mais ou menos em 425 a.C, talvez para acomodá-los em um
rolo. O grupo todo é mais curto, por exemplo, que Isaías, Jeremias ou Ezequiel.
Embora os
profetas maiores estejam dispostos em ordem cronológica, os livros que compõem
o grupo de profetas menores não possuem esta disposição. Os seis primeiros
livros (de Oséias a Miquéias) estão relacionados a um período anterior ao
cativeiro do Norte (722 a.C). Os livros de
Naum, Habacuque e Sofonias relacionam-se a um período anterior ao cativeiro do
Sul (606-586 a.C), e os três últimos livros
(Ageu, Zacarias e Malaquias), posicionam-se em um período posterior ao regresso
do cativeiro (536-425 a.C).
Quais
são os Profetas Menores
Autor:
Oseias
(profeta pré-exílio e na Assíria)
Data:
770 a.C
Profetizou ao: Povo de Israel – Reino Norte
Contemporâneo a: Amós, Isaías e Miquéias
No tempo do Rei: Jeroboão II
Oséias significa salvação ou
livramento. Profetizou ao Reino do Norte cerca de 50 anos antes do cativeiro.
Neste livro, o profeta descreve o estado abominável da nação que, à semelhança
de sua esposa, tinha-se entregue ao adultério. Este profeta recebeu do
Senhor a seguinte ordem: “vá, tome uma que se entregou
à prostituição” (Os 1.2). Essa ordem parece violar os mandamentos e
moral envolvida no Pentateuco. Contudo, em tempos de grande depravação, Deus
estava usando uma profecia alegórica para apregoar ao povo Sua mensagem de
perdão.
Autor: Joel
Data: 828 a.C
Profetizou ao: Reino Sul - Judá
Contemporâneo a: Eliseu
No tempo do Rei: Joás
Sabe-se muito pouco acerca do
profeta Joel. Existem na bíblia outras 14 pessoas com este nome. Este livro foi
escrito com dois objetivos: histórico e profético. O objetivo histórico
era chamar a atenção de Judá ao arrependimento como uma reação adequada aos
julgamentos do Senhor com gafanhotos e estiagem, para que uma calamidade mais
devastadora não viesse sobre eles. Por outro lado, o objetivo profético era
apresentar o futuro “Dia do Senhor”, no qual ele dominará os pagãos e libertará
seu povo para habitar com ele. Joel profetizou o “Dia do Senhor”, o grande dia
do julgamento das nações onde Deus assumirá o comando do mundo a fim de trazer
julgamento ou bênção em conformidade com seus princípios estabelecidos, preparando
o mundo para seu reino milenar.
Também profetizou o derramamento
do Espírito Santo no Pentecostes. Tanto Pedro quanto Paulo usaram o texto de
Joel 2.28-32 como uma profecia da dispensação cristã, em Atos 2.16-21 e Romanos
10.13:
“Mas isto é o que foi
dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu
Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas
profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E
também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas
naqueles dias, e profetizarão; E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E
sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em
trevas, E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor; E
acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Atos 2.16-21 – Almeida Corrigida Fiel)
“Porque todo aquele que
invocar o nome do SENHOR será salvo.” (Romanos
10.13)
Autor: Amós
Data: 764 a.C
Profetizou a: Israel – Reino Norte
Contemporâneo a: Jonas e Oseias (Israel)
No Tempo do Rei: Zacarias, Salum e Menaém
Amós significa ‘fardo’ ou
‘carregador de fardos’. Era de uma aldeia judaica chamada Tecoa. Era um agricultor
de figos, pastor de ovelhas e boiadeiro. Apesar de Morar no Reino Sul,
profetizou ao Reino Norte. Amós vivia a 7 quilômetros ao sul de Jerusalém, no
mesmo lugar em que João Batista cresceu, séculos depois.
Este livro tem com objetivo
expressar o julgamento de Deus sobre a nação que vivia em tempos de corrupção
espiritual, moral e social. Em contraponto com Oséias que apregoou o amor
divino, Amós apregoava a justiça, com forte ênfase em justiça social.
Autor: Obadias
Data: 860/858 a.C
Profetizou a: Edom (casa de Esaú)
Contemporâneo a: Eliseu e talvez Elias
No Tempo dos Reis: Reino Sul: Acazias / Reino Norte: Jorão ou Jeú.
Obadias significa “servo do
Senhor”. Era um nome comum no Antigo Testamento. Não se sabe nada sobre
Obadias, exceto que estava em Jerusalém na ocasião dos violentos ataques de
Edom à cidade. Foi escrito com o objetivo de anunciar juízo e a destruição
final de Edom em razão de sua violência e vingança constantes ao povo escolhido
de Israel. Esse livro também afirma escatologicamente o tempo em que Israel
possuirá a terra de Edom. Portanto, o livro narra o destino final de Edom, povo
descendente de Esaú, e também o destino final de Israel, povo descendente de
Jacó, ambos os filhos de Isaque e Rebeca. Apesar de descenderem de dois irmãos
gêmeos, as nações Edom e Israel tornaram-se inimigas rancorosas e implacáveis.
Essa inimizade entre Israel e Edom perdurou por mil anos, de Moisés a
Malaquias, envolvendo muitas contendas e brigas.
A nação de Edom (conhecida como Iduméia),
tal como Israel, foram extintas no ano 70 d.C com a invasão romana. Porém os
edomitas nunca mais ressurgiram. Foram totalmente extirpados. Obadias é a
síntese do último capítulo da história desse povo, como se fosse a conclusão
dos livros sobre Edom, que foram eliminados por desprezarem a Palavra de Deus,
por terem vendido sua primogenitura e por terem infligido guerras e disparates
ao povo escolhido de Deus.
Autor: Jonas
Data: 767 a.C
Profetizou a: Nínive (capital Assíria)
Contemporâneo a: Amós e Oseias (Reino Norte)
No Tempo do Rei: Jeroboão II (Israel)
A tradição judaica diz ser ele o
filho da viúva de Sarepta, que foi ressuscitado por Elias. Historicamente, no
tempo de Jonas, Israel sentia-se seguro e estava em ascensão, enquanto a
Assíria achava-se em declínio político. O objetivo deste livro é apresentar
como Deus julga a iniquidade em todas as esferas e, do mesmo modo, reage ao
arrependimento das nações.
Este livro contém milagres
“inacreditáveis”, tal como ser engolido por um grande peixe por três dias. E do
mesmo modo em que Jonas esteve no ventre do peixe (lugar de morte) durante três
dias e três noites, o Filho do homem esteve no coração da terra: “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da
baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra”
(Mateus 12.40 - ACF). Jesus usou a
experiência de Jonas para tipificar a maior verdade bíblica: sua própria
ressurreição dentre os mortos.
Autor: Miquéias
Data: 744
a 704 a.C
Profetizou a: Reino
Sul e Reino Norte (pré-exílio)
Contemporâneo a: Amós (Reino Norte) e Isaías (Reino Sul)
No Tempo dos Reis: Peca e Oseas (Reino Norte) e Jotão, Acaz e Ezequias
(Reino Sul)
Miquéias significa: “quem é
igual à Javé?”. É uma expressão adequada à mensagem do livro, tendo em
vista haver ênfase no grande poder de Deus no primeiro capítulo, e seu grande
perdão no último. O profeta Miquéias era de origem humilde e conhecia as más
condições dos pobres. É reconhecido como o único profeta cujo ministério foi
simultaneamente direcionado a Judá e Israel.
Miquéias apresenta semelhanças e
contrastes com Isaías, profeta contemporâneo. Tal como Isaías, ambos
profetizaram sobre a vinda do Messias. Isaías falou de seu nascimento, e Miquéias
determinou o local de seu nascimento. Em contrapartida, como contraste evidente
entre ambos, Isaías dirigiu seu ministério à aristrocracia urbana de Jerusalém,
enquanto Miquéias falou ao povo comum da zona rural.
Em Miquéias vemos o melhor resumo
da Lei, em seu estilo mais simples e profundo, sem rodeios, com ênfase na
prática da justiça, amor e demonstração de bondade e submissão em humildade
para com Deus:
“Com que me
apresentarei ao SENHOR, e me inclinarei diante do Deus altíssimo?
Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano?
Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de
azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre
pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que
o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e
andes humildemente com o teu Deus?” - (Miquéias 6.6-8 – Almeida Corrigida Fiel)
Autor: Naum
Data: 635 a.C
Profetizou a: Nínive e ao Reino Sul
Contemporâneo a: Jeremias e Sofonias
No Tempo do Rei: Josias
Naum descreve o Senhor como um
Deus zeloso e também vingativo. Revelou o detalhado plano divino para destruir
e devastar Nínive completamente, que na pregação de Jonas havia vivenciado um
grande avivamento e conversões em massa. Essa nação violenta e implacável foi o
instrumento de Deus para destruir o reino de Israel em 721 a.C, por causa de
sua idolatria e violência. Mas quando Deus ordenou sua destruição, ela foi
aniquilada tão completamente que ficou esquecida por muitos séculos, coberta
com areia e transformada em um deserto. A destruição de Nínive foi tão completa
que a cidade tornou-se quase uma lenda durante dois milênios, até ser
redescoberta em 1842 por Layard e Botta (cf.
Ellisen, 2015, p. 367). Alexandre, o Grande, passou por ela em 331 a.C,
sem ver sinais de sua existência. Nada restou da cidade e do seu poderio.
Nínive foi uma das cidades mais antigas do mundo, fundada por Ninrode (Gênesis 10.11), foi à capital da Assíria. A Assíria
teve esse nome em homenagem a seu principal deus, Assur, divindade da guerra.
O objetivo deste livro é servir
como consolação para Judá. O Deus vingador descrito por Naum é um dos quadros
mais aterrorizantes da Bíblia. Enquanto o livro de Jonas apresenta a
misericórdia do Senhor oferecida aos gentios de Nínive, o livro de Naum retrata
a ira e o julgamento de Deus a esta mesma cidade, que havia se corrompido a
despeito do avivamento vivenciado pela geração anterior através da pregação do
profeta Jonas.
Autor: Habacuque
Data: 606 a.C
Profetizou a: Judá (Reino Sul)
Contemporâneo a: Jeremias, Daniel e Ezequiel.
No Tempo do Rei: Jeoaquim
Habacuque quer dizer “abraçar”.
Quase nada se conhece sobre Habacuque. Ele não é mencionado em nenhum outro
lugar da bíblia. Em sequência lógica à destruição de Nínive profetizada por
Naum, Habacuque profetiza a queda e destruição da Babilônia.
Ao contrário de outros livros
proféticos, Habacuque é mais uma oração do que uma profecia. O objetivo do
livro era enfatizar a santidade divina ao julgar o violento reino de Judá por
seus pecados, muito embora Deus estivesse usando uma nação mais iníqua para
executar tal julgamento – Babilônia - nação que mais tarde seria destruída por
sua idolatria e iniquidade ainda maior.
Autor: Sofonias
Data: 624 a.C
Profetizou a: Ira do Senhor a Judá e a Sua justiça a outras nações
Contemporâneo a: Jeremias
No Tempo do Rei: Josias
Este livro foi escrito com o
objetivo de divulgar um chamado de décima primeira hora à nação, condenando sua
idolatria e advertindo o povo sobre o grande dia da ira divina que estava por
vir. Além desse aviso, Sofonias enfatizou novamente os resultados finais do
julgamento de Israel, que seria um povo purificado e humilde, restaurado pelo
Senhor, e este passaria a habitar no meio deles. O título “Sofonias” significa
“o Senhor esconde” ou “o Senhor protege”. Essa proteção da justiça do “dia do
Senhor” está em 2.3 e 3.8-12 deste livro:
“Buscai ao SENHOR, vós
todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a
justiça, buscai a mansidão; pode ser que sejais escondidos no dia da ira do
SENHOR.” (Sofonias 2.3 - ACF)
“Portanto esperai-me,
diz o SENHOR, no dia em que eu me levantar para o despojo; porque o meu decreto
é ajuntar as nações e congregar os reinos, para sobre eles derramar a minha
indignação, e todo o ardor da minha ira; porque toda esta terra será consumida
pelo fogo do meu zelo. Porque então darei uma linguagem pura aos povos, para
que todos invoquem o nome do SENHOR, para que o sirvam com um mesmo consenso.
Dalém dos rios da Etiópia, meus zelosos adoradores, que constituem a filha dos
meus dispersos, me trarão sacrifício. Naquele dia não te envergonharás de
nenhuma das tuas obras, com as quais te rebelaste contra mim; porque então
tirarei do meio de ti os que exultam na tua soberba, e tu nunca mais te
ensoberbecerás no meu monte santo. Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e
pobre; e eles confiarão no nome do SENHOR.” (Sofonias 3.8-12 – ACF)
Autor: Ageu
Data: 521 a.C
pós-exílio Babilônico
Profetizou a: Judá
Contemporâneo a: Esdras e Zacarias
Durando o reindo de: Dario, o persa.
Ageu significa “festivo” ou
“minha festa”. É provável que o profeta tenha nascido em um dia de festa. Seu
nome está ligado ao maior objetivo da profecia, que era completar o templo para
reiniciar as festividades religiosas. Apesar de Ageu ser também mencionado em
Esdras 5.1, pouco se sabe a seu respeito. O objetivo deste livro é fazer os
líderes e o povo continuarem a reconstruir o templo destruído, mostrando-lhes
que os fracassos nos outros setores da vida, eram resultado da negligência na
obra do Senhor. Ageu foi o maior responsável por conseguir que a construção do
templo recomeçasse e fosse concluída. Ele apareceu em cena após uma grande
arrancada e parada brusca na construção do templo que durou alguns anos.
Autor: Zacarias
Data: 521 a 485
a.C
Profetizou ao: Remanescente de Jerusalém
Contemporâneo a: Ageu e Esdras
No Tempo do Rei: Dario, o persa.
Zacarias significa “O Senhor
lembra”. Zacarias era filho de Ido e neto de Berequias. Zacarias foi um
sacerdote que voltou para Israel com seu pai e seu avô no primeiro retorno da
Babilônia com Zorobabel (Neemias 12.4,16). É
possível que seu pai tenha falecido antes do retorno e que ele tivesse sido
criado pelo avô. Ido foi um dos principais sacerdotes do retorno.
Este livro foi escrito com dois
objetivos: insistir na conclusão da restauração imediata do templo e instruir a
nação quanto ao seu futuro nos tempos messiânicos. É considerado um livro de
“apocalipse” do antigo testamento, e também considerado misterioso e de pontos
difíceis de entender, segundo alguns intérpretes.
Autor: Malaquias
Data: 397-331
a.C (referência da Bíblia em Ordem cronológica /
Ed. VIDA)
Profetizou ao: sacerdotes de Jerusalém
Contemporâneo a: Ele era contemporâneo de Neemias
(comparar Ml 2:8 com Ne 13:29 e Ml 2:10-16 com Ne 13:23) e de
Esdras (comparar Ml
2:11 com Ed 9:1 e 2)
Nada se sabe sobre Malaquias, o
autor do livro, a não ser o seu nome, que aparece no primeiro versículo. Não é
identificado nem pelos pais, pela cidade natal ou pelo cargo. Malaquias foi a
voz profética final. Foi o último mensageiro divino para o povo da aliança do
Antigo Testamento, ministrando cerca de mil anos depois de Moisés, o primeiro
profeta e primeiro escritor bíblico.
O livro tem como objetivo
despertar o povo que de sua estagnação espiritual, com o intuito de
possibilitar que o Senhor tornasse a abençoá-lo. O profeta realizou isso
tomando como base a ênfase da grandeza de seu Deus, que sempre corresponde à
obediência de sua palavra e está planejando o dia do julgamento final, quando
então os perversos serão julgados, e os justos, recompensados:
“PORQUE eis que aquele
dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem
impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o
SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Mas para
vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas
asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria. E pisareis os ímpios,
porque se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que estou
preparando, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Malaquias 4.1-3 - ACF).
Ao escrever essas últimas
palavras, o profeta lembrou a todos da obra do Messias, que viria para
purificar a nação, preparando-a para receber seu reino e as bênçãos. A profecia
de Malaquias encerra, portanto, a era do Antigo Testamento.
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