Aula 07 - Quando Deus se Cala - O Período Interbíblico
“Vocês
dizem: ‘É inútil servir a Deus. O que ganhamos quando obedecemos aos seus
preceitos e ficamos nos lamentando diante do Senhor dos Exércitos? Por isso, agora consideramos felizes os arrogantes, pois tanto
prosperam os que praticam o mal como escapam ilesos os que desafiam Deus!’ ”
(Ml 3:14 – NVI)
Introdução
Depois do templo ter sido reconstruído, por volta de
515 a.C e a cidade estar ativamente funcionando, Deus envia seus profetas Ageu,
Zacarias e Malaquias para exortar o povo novamente concernente ao pecado e a
corrupção dos sacerdotes.
Em meados do século IV a.C, quando morre o último
profeta, Malaquias, Deus então resolve se calar e este silêncio duram cerca de
400 anos.
Sem profetas, sem reis, e tendo os sacerdotes se rebelado
contra Deus, o povo passa por um período sem a Sua manifestação, e isso faz com
que surjam líderes querendo guiar o povo segundo os seus próprios ensinamentos
e baseados em suas próprias interpretações das Escrituras.
Daí o motivo de tantos segmentos religiosos no tempo de
Jesus.
Os Fariseus, Saduceus e Escribas
Os
grupos religiosos tentavam viver a lei de Moisés conforme a entendiam, mas cada
grupo interpretava as escrituras da maneira que lhes aprazia. Como resultado, o
verdadeiro conhecimento de quem seria o Salvador se tornou confuso.
Quando
a voz dos profetas foi silenciada, os sacerdotes e os levitas tornaram-se as
figuras públicas mais importantes entre os judeus e reivindicaram para si o
direito de interpretar as escrituras. Entretanto, o ofício de sumo sacerdote se
corrompeu por se tornar cargo político naquela época.
Muitos
judeus achavam que os sacerdotes e os levitas não cumpriam suas
responsabilidades de ensinar corretamente a lei (Dt 33:10),
por isso surgiu um novo grupo que procurava ensinar a lei, conhecidos como escribas,
que tomaram como modelo Esdras, que tinha ajudado seu povo a sentir a
necessidade de aprender e cumprir a lei (Ed 7:25; Ne 8:1–8).
Em
167 a.C. a Palestina ficou sujeita à influência dos imperadores
selêucidas, que falava grego, e foram estes governantes que vetaram a fé
judaica, proibindo a circuncisão e profanando o templo ao oferecer carne de
porco no altar.
Liderados
por uma família conhecidos como os Macabeus ou Hasmoneus, muitos judeus
resistiram. Essa revolta se chamou “Guerra dos Macabeus”, que trouxe por fim
liberdade para os judeus e criou uma nação judaica pela primeira vez em 37 a.C,
desde a queda de Jerusalém em 586 a.C.
Com
essa nova liberdade agora, outros grupos religiosos surgiram, cada qual
exigindo o direito exclusivo de interpretar as escrituras, como os fariseus
eram um grupo religioso independente. Eles se tornaram muito influentes na sociedade
judaica dando início a um enfoque estrito nas leis referentes aos alimentos e
nos rituais de purificação, que eram aspectos da lei enraizados em suas
tradições orais, e não nas escrituras.
E os saduceus
que rejeitavam qualquer coisa que se baseasse na tradição oral, atendo-se
estritamente aos cinco livros de Moisés, mas desprezando os Escritos dos outros
Profetas.
Os Essênios
Independentemente desse desses grupos – Escribas,
Fariseus e Saduceus - haviam homens e mulheres justos que ainda aguardavam a
vinda do Messias durante o período intertestamental. Os poetas cantavam salmos,
o povo orava por Sua vinda e falava dela: a vinda de um rei da linhagem de Davi
que estava destinado a salvar Seu povo.
Um dos grupos que esperavam o Messias eram os Essênios,
que também surgiram durante o conflito dos macabeus.
Eles acreditavam que os sacerdotes do templo de Jerusalém
eram corruptos e que o templo precisava de importantes reformas. A seu ver, a
vinda do Messias estava próxima. Eles acreditavam que Ele Se uniria à causa
deles para acabar com o jugo opressivo de Roma, cujos governantes tinham
conquistado a Palestina 60 anos antes do nascimento de Jesus.
Tudo tinha um Propósito
O
período inter-testamental presenciou acontecimentos que prepararam o mundo para
a vinda de Jesus, pois se caracterizou por uma produção marcante de literatura
religiosa, incluindo a tradução da Bíblia hebraica para o grego e o início da
compilação dos Pergaminhos do Mar Morto e assim também como o surgimento dos Livros
Apócrifos.
Foi nessa época que as ideias sobre anjos,
ressurreição, os conceitos de céu e inferno se desenvolveram e foram
refinados.
Entretanto, sem um profeta para guiá-los, os judeus
discordavam entre si a respeito do significado das escrituras e de quem viria a
ser o Messias.
Enquanto a maioria das pessoas esperava um Messias da
linhagem de Davi, outros defendiam um Messias que fosse descendente de Aarão — um
Messias sacerdotal. E havia outros que não acreditavam mais na vinda de um
Messias.
Criaram-se
tantas expectativas entre os diferentes grupos durante o período inter-testamental que eles não souberam reconhecer o verdadeiro Messias quando
Ele chegou. Nenhum dos grupos — escribas, fariseus, essênios ou saduceus —
aceitou João Batista como profeta e Jesus Cristo como o Messias, acontecendo
que alguns membros desses grupos acabaram se tornando os principais adversários
de João e de Jesus durante o ministério deles (Mateus 21:23–46).
E
Hoje, é Diferente?!
Vivemos hoje em um contexto de grande
diversidade religiosa, no qual muitos cristãos escolhem em quê acreditar e
ainda preferem interpretar a bíblia à maneira mais conveniente ao seu padrão de
vida.
Muitas heresias foram difundidas no
decorrer do tempo. Até mesmo a nossa bíblia possui diversas versões a
ponto de não sabermos mais o que foi implantado pelo homem e o que de fato está
nas Escrituras originais.
Para isso, devemos estudar a Palavra e pedir
direção ao Espírito Santo a fim de que Ele nos revele os segredos do Seu
coração para permanecermos justos nesses últimos dias até a Sua volta.
Resumo dos Grupos Existentes no Tempo de Jesus
Grupos
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Características
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Saduceus
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Os saduceus compunham o sinédrio e era a parte aristocrática dos
judeus, onde se encontravam os sacerdotes mais poderosos e mercadores
prósperos. Se opunham aos fariseus e tinha somente o Pentateuco como sagrado
– Mt 22.23 – Não criam em anjos, nem demônios
e nem inferno. Eram helenistas, defensores da morte como fim de todas as
coisas.
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Fariseus
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Denomina um grupo de judeus extremamente apegados à Torá, a “bíblia”
dos judeus (Jo 3.1; Mt 22.34-40). Formavam, entre o povo judeu, uma espécie de comunidade à parte (Mt
22.15). Eram a elite do povo. Não se misturavam. Há
fortes indícios de que alguns escribas eram também fariseus. Eram legalistas
no cumprimento da Lei, mas pecavam por exigir dos outros o que não faziam.
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Essênios
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Formavam uma pequena seita judaica na época do Novo Testamento, que
vivia de forma reclusa no deserto da Judeia, às margens do Mar Morto.
Eles entregavam suas propriedades a um fundo que era igualmente disponível a
todos. Banhavam-se antes das refeições e vestiam-se de branco. Além disso,
consideravam a si mesmos “os filhos da luz”, e viviam completamente separados
do judaísmo de Jerusalém, o qual consideravam apóstata.
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Zelotes
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”Os zelotes tinham um intenso zelo por Deus (At
21.20). Era um grupo religioso com marcado caráter
militarista e revolucionário que se organizou opondo-se à ocupação romana de
Israel. Temos o registro bíblico de que antes de ter-se convertido e ter sido
chamado ao discipulado cristão, um dos doze apóstolos de Jesus, Simão, o
Zelote, havia pertencido a esse partido revolucionário, que se caracterizava
pelo fanatismo religioso (Lc 6.15 e At 1.13).
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Herodianos
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Eram assim chamados por serem partidários
assalariados da dinastia de Herodes. Herodes, o Grande, tentou romanizar a
Palestina em sua época.
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Samaritanos
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Os judeus excomungavam os samaritanos,
considerando-os escória da raça humana. As fortes objeções dos judeus eram: a
insistência dos samaritanos em considerar o monte Gerizim o principal local
de culto e a rejeição destes a Jerusalém como cidade sagrada (Jo
4.20).
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Publicanos
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Eles eram cobradores de impostos,
comparados aos pecadores da pior espécie. Quando um judeu exercia esse triste
ofício, e, sobretudo, quando cobrava de seus irmãos o imposto destinado a
Roma, era tratado com enorme desprezo. Entre os doze
discípulos, havia um ex-publicano (Mt 9.9).
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