Aula 04 - A Bíblia e seu Caderno de Poesias


“Levanta-Te, ó Eterno, e julga Tua terra, porquanto a Ti pertencem todas as nações!”
(Sl 82:8 – KJA)

Introdução

Usando uma metáfora, podemos dizer que o Pentateuco foi escrito para contar a respeito do nascimento de um povo, sua origem, propósito e finalidade nesta terra.
Os livros Históricos registram a puberdade deste povo, sua rebeldia, desobediência e o querer coisas proibidas pelo Pai.
Os livros Poéticos são a parte jovem do povo registrada na Bíblia, onde revelam as lamúrias, frustrações, paixões e alegrias de um povo escritas num diário.
Nos livros proféticos o povo de Israel já é adulto, já passou a fase das paixões e vive errante como se não houvesse conseqüência futura. Então Deus envia seus escolhidos para mostrar que pouca coisa resta em seu futuro: uma vida de arrependimento ou uma morte humilhante nas mãos do inimigo.

Entendendo os Livros Poéticos

Uma coisa que precisamos ter em mente ao ler as Escrituras é a sua forma textual, pois foi escrita numa língua, cultura e época diferente da nossa, e os Livros Poéticos são um grande exemplo desta diferença, pois apesar de serem escritos em poesia, se contraste da nossa pela forma textual. A poesia brasileira é regada de rima, métrica e estrofe, enquanto a poesia hebraica se divide em paralelismo, antífona e imprecatórios.

1 – Paralelismo:
O elemento mais formal na poesia hebraica é o paralelismo, ou seja, as frases se conectam de forma paralela num determinado entendimento complementar.  Esse paralelismo pode acontecer de três formas:
·      Sinonímico - a mesma idéia é expressa na primeira e segunda frase através de sinônimos para reforçar uma verdade (Sl 24:1; Jó 32:17; Sl 46:1; Pv 22:1)
·      Antitético - a segunda frase é o oposto da primeira, num contraste perceptível (Sl 37:9,21; Ec 32-8)
·    Sintético - a segunda frase amplia acrescentando uma explicação a primeira de forma construtiva (Sl 19:7-9; Ec 4:9; Sl 37:27)
A Bíblia usa o paralelismo não só para organizar as palavras e as frases dentro de um texto como também para organizar provérbios e salmos dentro de um conjunto do livro, fazendo que um texto faça dupla com o outro de forma complementar.

2 – Antífona:
A primeira parte da poesia é cantada pelo dirigente enquanto a segunda é comum cantadas de forma repetitiva pela congregação – Sl 118:1-4; 136.

3 – Imprecatórios:
Imprecação significa maldição, praga. É quando encontramos um texto pedindo a Deus o castigo do ímpio. No livro de salmos encontramos cerca de 20 capítulos com esta classificação.
Para compreender essas duras falas de diversos salmistas, é preciso fazer algumas considerações importantes:
·         Por que nestes salmos se deseja o mal do outro? Naquele tempo não havia um entendimento de justiça ou punição posterior a morte, a vida após a morte ainda não havia sido revelada ao homem e por este motivo, só havia sentido o castigo punitivo aqui nesta terra ou a morte como punição (Sl 49:16-20; 69:27-28; 137:8-9;140:10).
·         Por que invocavam vingança em nome de Deus? A vingança não era puramente pessoal, mas de honra ao nome de Deus, de Sua justiça e do triunfo do bem sobre o mal. Eles acreditavam que o triunfo de inimigos e do mal representava uma afronta ao santíssimo nome de Deus (Sl 58:1-11; 70:1-5; 109:21,25-27)
·             Por que o uso de hipérboles nos imprecatórios? É muito comum dentro desse estilo de escrita, a figura de linguagem chamada “hipérbole”, que faz uso de exageros para chamar a atenção para uma realidade, podendo ser humilhação humana ou exaltação divina (Sl 7:3-5; 35:21-28; 58:10-11)


Resumo dos Livros

·      Autor - É desconhecido, mas há indícios de que tenha sido escrito pelo próprio , ou ainda por Eliú, Ezequias, Isaías, Moisés ou Salomão.
·        Data Histórica – Provavelmente no século XX a.C
·       Contexto -  Jó era cidadão da Terra de Uz - nome do primeiro filho de Arã e neto de Sem, nome também de um dos sobrinhos de Abraão. Na Bíblia era comum dar o nome do Patriarca da família ao lugar que escolhiam para morar. Geralmente estes nomes permaneciam para posteridade, deixando claro a quem aquela terra pertencia.
·        Localização - As duas localizações mais prováveis para a Terra de Uz estão na Arábia, a leste de Petra ou mais provavelmente em Basã, a leste do mar da Galileia e ao sul de Damasco (Lm 4:21).


·        Assunto do Livro – Este livro fala sobre a provação de um homem a respeito da sua fé. É interessante observar que quando Deus prova alguém é com a intenção de mostrar a esta pessoa e que sua fé é capaz. Mas neste livro Deus vai além, Ele mostra a Satanás que Jó o servia de coração, por aquilo que Ele era e não por aquilo que Ele podia lhe dar. Na verdade, Deus não precisa de prova alguma a respeito de nada, pois Ele é Onipresente, Onisciente e Onipotente, mas usa situações para nos revelar quem de fatos somos.
Usando os amigos de Jó, Deus também revela o senso de justiça que possuíam na antiguidade e que de alguma forma ainda permeiam em nossa sociedade religiosa.
1 – Justiça Retributiva – Prega que Deus retribui mediante as nossas ações – bem aos bons, mal aos maus (Jó 46-8).
2 – Justiça Própria – Prega que merecemos coisas boas porque somos bons (Jó 23:1-7).
3 – Justiça Punitiva – Prega que o sofrimento é a arma de Deus para punir o nosso pecado (Jó 21:20)


·      Autores – São atribuídos a Davi pelo menos 74, a Asafe 12, os filhos de Corá 9 e o restante entre Salomão, Moisés, Hemã e Etã, pelo menos 1 cada entre outros, 50 são  desconhecidos.
·       Data Histórica – Os salmos cobrem um período de cerca de mil anos da história de Israel. Temos por exemplo o salmo de Moisés escrito no ano de 1445 a.C (Sl 90), até salmos do período pós-exílio escritos após o cativeiro babilônico (Sl 126).
·     Finalidade – O livro de Salmos faz parte do culto israelita desde o início. O salmista é alguém que, ao abrir seu coração, sempre vai se perguntar coisas profundas, é ser alguém com habilidade profunda de derramar o coração diante de questionamentos profundos. Os Salmos têm como finalidade nos ensinar a orar e a cultuar, e é um livro também que se propõe a curar nosso coração através da oração e da adoração.
·         Divisão do livro –




·       Autores – Foi escrito por vários autores. Na verdade o livro de Provérbios é uma coleção de ditos procedentes de alguns homens sábios. Dentre eles, o autor mais conhecido é o rei Salomão.
·    Data Histórica – Mais ou menos em 961 a.C, nos primeiros 147 anos do reinado de Salomão. Depois disso ele começou a se distanciar de Deus.
·       Finalidade do livro – Os provérbios são verdades gerais, profundas, transmitidas através de palavras curtas que se tornam inesquecíveis em nossa mente, gerando um impacto. Esses provérbios têm o objetivo de interferir nas decisões e práticas do dia-a-dia.


·        Autor – Salomão.
·        Data Histórica – Mais ou menos em 965 a.C, início do reinado de Salomão.
·    Contexto – Na língua hebraica temos a expressão ‘’Santo dos santos’’ e ‘’ cântico dos cânticos’’, dando a ideia de perfeição e completude, ou seja, ao falar de Cântico dos Cânticos, estamos falando da canção mais importante de Israel, a melhor canção. Este cântico é um dos 1005 que Salomão escreveu (1 Rs 4:32). O Cântico dos Cânticos é uma poesia que narra à história de amor de Salomão uma mulher de nome Sulamita de forma recíproca, embora os eruditos não concordem entre si a respeito de quem era essa mulher, entre as 700 mulheres que ele teve, além das 300 concubinas (1 Rs 11:3).
·     Assunto do livro – Os judeus interpretam o Livro de Cantares como representação do símbolo do amor de Deus pela Congregação de Israel. Já os cristãos o têm visto como uma mensagem de amor de Jesus por sua Igreja, a ser consumado em Sua Segunda Vinda. Independentemente da perspectiva, de acordo com Lawrence O. Richards, em seu livro O Guia do leitor da Bíblia, “é melhor tomar este poema pelo que ele parece ser: a celebração do dom de Deus do amor conjugal”. Na Bíblia Mem Ordem cronológica deixa claro uma analogia que se divide em sete atos: cap. 1 a criação, cap. 2 a lei, cap. 3 e 4 o calvário, cap. 5 a graça, cap. 6 e 7 a segunda vinda e o cap. 8 a eternidade.


·         Autor – Salomão.
·        Data Histórica – Após 950 a.C, quando Salomão havia se distanciado de Deus e próximo a sua morte constata o que fezda sua vida.
·        Contexto – O nome Eclesiastes é uma tradução da palavra hebraica koheleth, que significa “aquele que convoca uma assembleia” ou simplesmente um pregador. O livro de Eclesiastes é único porque, embora o pregador seja uma pessoa que acredita em Deus, muitas vezes faz perguntas e declarações como se não acreditasse. Portanto, tudo o que ele diz deve ser inserido no contexto de sua conclusão final em Eclesiastes 12:13–14: todas as nossas obras nesta vida um dia serão julgadas por Deus.
·        Divisão do livro:
Eclesiastes 1 e 2 - O pregador conclui que tudo nesta vida é vão ou efêmero e não dura. Para respaldar essa conclusão, ele relata várias tentativas que fez para encontrar significado e propósito na vida. Ele procurou a frivolidade e o prazer, edificou “obras magníficas” (2:4) e ganhou riquezas, mas descobriu que nada disso o satisfazia.
Eclesiastes 3 - O pregador explica que coisas boas e ruins acontecem a todas as pessoas. As obras do homem não perduram. Contudo, as obras de Deus são eternas.
Eclesiastes 4 a 8 - O pregador ensina que, embora esta vida seja temporária e todos um dia morrerão, há coisas que podemos fazer para encontrar contentamento na vida. Ele identifica também coisas que certamente resultarão numa vida de insatisfação, como oprimir o próximo, acumular riquezas simplesmente para ter mais do que os outros e deixar de buscar sabedoria.
Eclesiastes 9 e 10 - O pregador afirma que tanto os iníquos quanto os justos passarão por tragédias. Todos têm um tempo limitado nesta Terra e se beneficiarão muito mais ao alcançarem sabedoria do que ao adquirirem riquezas ou poder.
Eclesiastes 11 e 12 - O pregador conclui que, ao contrário da maioria das coisas na vida, a obediência aos mandamentos de Deus é de importância duradoura, pois um dia todos morreremos, nosso espírito voltará a Deus e Ele nos julgará segundo a maneira como vivemos durante nossa vida mortal.



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